Manchete SociedadeIAM | Novo recorde de gatos abatidos em 2025 João Santos Filipe - 25 Mar 2026 Com o Governo a recusar implementar os programas de “captura, esterilização e devolução”, o número de abate de animais volta a subir. No caso dos felinos, estabelecem-se novos recordes. Quanto aos caninos, os abates aproximam-se de valores anteriores O ano de 2025 ficou marcado pelo maior número de abates de gatos em Macau pelo Instituto para os Assuntos Municipais (IAM), um registo que bateu o recorde anterior, que era de 2023. Os dados constam do portal oficial do IAM. No ano passado, foram abatidos um total de 158 gatos, um aumento de 32,8 por cento em relação a 2024, ou de mais 39 abates quando o número tinha atingido 119 gatos mortos. Em relação ao anterior recorde, de 140 gatos abatidos, em 2023, os dados mais recentes mostram um aumento dos abates de 12,9 por cento, ou mais 18 abates. Até 2025, altura em que o IAM fez uma limpeza dos dados estatísticos, a informação oficial mostrava que antes de 2023, o maior número de abates felinos tinha acontecido em 2007, com 124 mortes. Apesar dos anos recentes terem trazido novos recordes ao nível das mortes dos gatos, a verdade é na maioria dos anos, o território tende a abater mais cães, o que voltou a acontecer em 2025. No ano passado, o IAM abateu um total de 333 cães capturados nas ruas do território. Este número está muito longe do recorde de 2010, quando ao longo desse ano o IAM matou um total de 718 cães. Também em 2015, houve mais mortes, com um total de 336 abates caninos. Apesar do recorde antigo, as autoridades têm aumentado o número de mortes nos anos mais recentes. Em 2024, foram abatidos 311 caninos, o que significa que no ano passado se registou um aumento de 7,1 por cento, ou de 22 abates face ao ano transacto. Contudo, entre 2023 e 2024, o número de mortes teve um crescimento de 41,2 por cento, ou 91 mortes, de 220 abates para 311 abates. Sem mudanças O aumento do número de abate de animais acontece ao mesmo tempo que o Instituto para os Assuntos Municipais (IAM) recusa implementar os programas de “captura, esterilização e devolução” dos animais que andam à solta nas ruas de Macau. Este programa era uma aspiração de alguns deputados, mais ligados à ala democrata, mas que perdeu espaço na Assembleia Legislativa, depois das exclusões eleitorais. Apesar disso, o assunto não morreu de todo, e no final do ano passado o deputado dos Moradores, Leong Hong Sai, voltou a abordar o assunto, através de uma interpelação escrita. Contudo, os dirigentes do IAM preferem apostar numa política de abate de animais, em vez de implementar o programa de “captura, esterilização e devolução”. “Tendo em conta a alta densidade populacional de Macau, tomando como referência as experiências do exterior e tendo em consideração a influência sobre a vida da população, o ambiente ecológico das florestas, a saúde pública, entre outros factores, não há condições, nesta fase, para desenvolver plenamente as medidas ‘captura, esterilização e devolução’ para animais vadios em todas as zonas de Macau”, limitou-se a justificar Chao Wai Ieng, sobre a opção deste Governo. Enquanto se procedeu ao aumento do número de abates, o Executivo eliminou cerca de 15 anos de dados oficiais. No ano passado o HM questionou o IAM sobre o desaparecimento dos dados oficiais, mas nunca recebeu qualquer resposta.