Canadá | Primeiro-ministro Mark Carney de visita a Pequim

Depois de anos marcados por incidentes diplomáticos e divergências, a viagem do primeiro-ministro canadiano à China é encarada como um novo capítulo nas relações entre as duas nações

 

A visita do primeiro-ministro canadiano, Mark Carney, à China, a primeira de um chefe de Governo do Canadá em oito anos, é vista por ambos os países como o início de uma nova fase nas relações bilaterais.

Segundo um comunicado do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, o chefe da diplomacia Wang Yi considerou a visita de Carney como “ponto de viragem” com potencial para abrir “novas perspectivas” na relação entre Pequim e Otava.

A ministra dos Negócios Estrangeiros canadiana, Anita Anand, que se reuniu ontem com Wang, afirmou que Carney pretende “definir o rumo para o desenvolvimento das relações” e retomar o diálogo em múltiplos domínios, segundo a mesma nota.

Carney, que assumiu funções há 10 meses, tenta restabelecer laços com Pequim depois de um período marcado por divergências, que inclui a detenção, em 2018, da directora financeira da Huawei, Meng Wanzhou, a pedido dos EUA, e a imposição de tarifas mútuas sobre produtos estratégicos como veículos eléctricos, aço, alumínio, canola e produtos do mar.

O primeiro-ministro canadiano reuniu-se ontem com o homólogo chinês, Li Qiang, e deverá encontrar-se com o Presidente Xi Jinping amanhã.

 

Factor Trump

A missão ganha urgência num momento em que o Presidente norte-americano, Donald Trump, agravou as tarifas sobre exportações canadianas.

Actualmente, mais de 75 por cento das exportações do Canadá têm como destino os Estados Unidos. Carney definiu como meta duplicar as exportações canadianas para fora do mercado norte-americano na próxima década.

“Estamos prontos para construir uma nova parceria, assente no melhor do nosso passado e preparada para os desafios do presente”, escreveu Carney na rede X após a chegada a Pequim, na quarta-feira à noite.

As tarifas aplicadas pelo Canadá em 2024, sob o Governo de Justin Trudeau, seguiram o exemplo dos EUA e impuseram taxas de 100 por cento sobre veículos eléctricos chineses e 25 por cento sobre aço e alumínio.

Em resposta, Pequim aplicou tarifas de 100 por cento ao óleo e farelo de canola canadianos, 75,8 por cento às sementes de canola e 25 por cento à carne de porco e aos produtos do mar, praticamente encerrando o mercado chinês a estas exportações, segundo fontes do sector.

A China tem expressado esperança de que a pressão económica exercida por Trump leve aliados dos EUA, como o Canadá, a adoptar uma política externa mais autónoma.

Pequim acusa frequentemente Washington de formar alianças para isolar a China, uma linha de crítica comum sob as administrações de Joe Biden e de Trump.

As relações entre os dois países deterioraram-se gravemente em 2018, quando Meng Wanzhou foi detida no Canadá a pedido dos EUA.

A China retaliou com a detenção de dois cidadãos canadianos por alegada espionagem, num episódio que congelou o diálogo diplomático durante mais de dois anos.

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