Primeira retrospectiva da artista portuguesa Helena Almeida na Ásia inaugura dia 23

O Museu de Arte de Macau (MAM) vai inaugurar no dia 23 de Janeiro a primeira retrospectiva da artista portuguesa Helena Almeida (1934-2018) na Ásia, anunciou uma das curadoras da mostra.

A exposição “Helena Almeida: Estou Aqui – Presença e Ressonância” é “uma das mais abrangentes alguma vez apresentadas” e estará patente até 26 de Abril, disse nas redes sociais Margarida Saraiva. A curadora do MAM afirmou que a retrospectiva será dividida em cinco secções, “de forma cronológica e temática”, incluindo uma dedicada às primeiras pinturas e outra ao “corpo como escultura e o diálogo entre corpos”.

Saraiva apontou Helena Almeida como “uma das mais relevantes artistas portuguesas e europeias da sua geração”, que “transformou o acto de autorrepresentação numa exploração intensa do corpo, do espaço, da resiliência e da impermanência”.

“Os seus gestos performativos — captados apenas através da lente do seu estúdio — continuam a desafiar e expandir os limites da pintura, do desenho e da fotografia”, explicou a curadora. “Esta mostra é simultaneamente uma homenagem ao extraordinário legado de Helena Almeida e uma afirmação do poder da colaboração curatorial entre culturas”, defendeu Saraiva.

A retrospectiva tem como curador principal Delfim Sardo, professor da Universidade de Coimbra e autor do livro “Helena Almeida, Pés no Chão, Cabeça no Céu”, e como co-curador o chinês Song Zhen.

Dividir por dois

Em Dezembro, o Instituto Cultural de Macau indicou num comunicado que a mostra irá reunir cerca de 42 conjuntos compostos por 190 peças da artista portuguesa. Uma outra parte da mostra, “Ressonância – Corpo. Objecto. Reflexão”, já foi inaugurada em 19 de Dezembro, com peças de seis artistas de Macau e da China continental, convidados a interagir com a obra de Helena Almeida.

Nascida em Lisboa, em 1934, Helena Almeida criou, a partir dos anos 1960, uma obra multifacetada, dando origem a um trabalho que se destacou pela autorrepresentação, reflectindo sobre as relações de tensão entre o corpo, o espaço e a obra. Usou o seu corpo como suporte e objecto de criação, utilizando a pintura, a fotografia, a gravura, a instalação e o vídeo. Helena Almeida estudou pintura na Escola Superior de Belas-Artes de Lisboa, começando a expor individualmente em 1967, na Galeria Buchholz.

A artista representou Portugal na Bienal de Veneza por duas ocasiões: em 1982 e em 2005, e em 2004 participou na Bienal de Sidney, tendo a sua obra sido exibida no âmbito de mostras individuais e colectivas em museus e galerias nacionais e internacionais.

Em 2015, apresentou uma exposição individual itinerante Corpus na Fundação de Serralves (2015), no Porto, em Paris (2016), em Bruxelas (2016) e Valência (2017). Apresentou igualmente, em 2017, uma exposição individual “Work is never finished” no Art Institute, em Chicago, nos Estados Unidos.

A sua obra está presente em colecções portuguesas e internacionais como: Colecção Berardo, Lisboa; Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa; Fundação de Serralves, Porto; Hara Museum of Contemporary Art, Tóquio; Museu de Arte Contemporânea de Barcelona; Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofía, Madrid; MUDAM – Musée d’Art Moderne Grand-Duc Jean, Luxemburgo; Tate Modern, Londres.

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