Inquérito | Mais de metade dos jovens desapontados com salários

Um inquérito da Associação Geral das Mulheres revela que mais de metade dos jovens acha que os salários estão abaixo das expectativas e um terço admite falta de experiência profissional. No capítulo da formação, quase metade dos inquiridos gostaria de ter mais proficiência em línguas

A Associação Geral das Mulheres de Macau apresentou ontem um inquérito focado no emprego dos jovens. No momento de procurar emprego, ou mudar de carreira profissional, mais de 50 por cento dos jovens inquiridos indicaram que os salários e benefícios estão abaixo das suas expectativas. Ainda neste tema, cerca de 42 por cento apontou a elevada competição como desafio principal, um terço confessou não ter experiência profissional relevante. Outro desafio mencionado, foi o desencontro entre as competências e as exigências do mercado de trabalho de Macau.

A desadequação entre as capacidades dos jovens e as exigências laborais, aliada à falta de oportunidades para desenvolver competências avançadas e ao elevado custo de certificações profissionais foi identificada como um dos maiores entraves no início da carreira.

No que toca ao desenvolvimento de competências, quase metade dos inquiridos apontou a formação em línguas como a sua escolha preferencial, seguido daquilo a que os autores do inquérito designaram como “habilidades interpessoais” (resolução de problemas complexos e capacidade negocial). As outras competências elencadas pelos jovens foram capacidades de gestão e liderança.

Falta de espaço

Em relação às acções de formação, o inquérito da Associação Geral das Mulheres revela que quase 50 por cento dos jovens deseja aceder a cursos práticos sobre conteúdos digitais (como Inteligência Artificial e mega-dados). Por outro lado, cerca de 46 por cento gostaria de frequentar cursos de certificação profissional internacionalmente reconhecidos.

Além disso, mais de metade dos jovens afirmou que o mercado laboral de Macau é demasiado pequeno, sem projectos avançados de desenvolvimento de competências ou planos de formação profissional internacionalmente reconhecidos. O tempo e custo financeiro deste tipo de formação foi apontado como um entrave à progressão profissional por mais de 37 por cento dos inquiridos.

Em termos de prioridades no mercado de trabalho, quase 75 por cento dos inquiridos indicou dar prioridade aos salários, ao equilíbrio entre o trabalho e os tempos livres e à estabilidade laboral. O inquérito foi realizado online, entre Outubro e Novembro, a residentes com idades entre os 18 e 45 anos, contando com 568 respostas válidas.

Durante a apresentação dos resultados do estudo, as deputadas Wong Kit Cheng e Loi I Weng fizeram recomendações para endereçar os desafios enumerados pelos jovens. As primeiras sugestões foram políticas que o Governo indica há anos como prioritárias, como a construção da Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin e a diversificação adequada da economia.

As deputadas pediram também o aumento do apoio ao Programa de Prémios por Formação e Exames de Credenciação dos Quadros Qualificados para, pelo menos, 10 mil patacas.

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