Manchete SociedadeRestauração | Residentes queixam-se da subida de preços e pedem apoios João Santos Filipe - 8 Jan 2026 Com os restaurantes mais caros, muitos residentes admitem optar por comer refeições feitas em casa, depois de comprarem ingredientes em Zhuhai, ou de “caçarem” promoções e menus mais em conta O aumento dos preços na restauração está a fazer com que mais pessoas optem por cozinhar em casa. O cenário foi traçado por vários residentes, e face ao congelamento de salários em diferentes áreas multiplicam-se os pedidos de distribuição de cupões de subsídio ao consumo. Ao jornal Ou Mun, um residente de apelido Tou confessou que come cada vez menos fora de casa, porque é mais barato comprar os alimentos em Zhuhai e depois confeccioná-los em casa. “Há vários anos que o meu salário não é aumentado, mas os preços nos restaurantes continuam a aumentar. Por isso, como cada vez menos fora”, afirmou o residente local. Tou queixou-se da redução nos apoios sociais no pós-pandemia, como o fim dos subsídios ao consumo através dos meios de pagamentos electrónicos, e confessou que os hábitos alimentares da sua família sofreram uma grande alteração. “Antes, tinha preguiça de cozinhar depois do trabalho, mas agora, quando viajo para o Interior aos fins-de semanas, compro ingredientes e simplesmente cozinho arroz em casa durante a semana”, explicou. “Assim toda a minha família come por 100 patacas, que é metade do custo de comer fora”, acrescentou. Por sua vez, uma residente de apelido Wong contou ao jornal Ou Mun que o aumento dos preços também levou a que deixasse de comer fora. A mulher indicou que a gota de água foi o preço das sopas de fitas com ovo ter aumentado de 13 patacas para 16 patacas no restaurante em que costumava tomar o pequeno-almoço: “Agora fica mais em conta cozinhar a minha canja com vegetais, até porque é mais saudável”, explicou. Apesar deste hábito, a residente admite que se houver mais programas de incentivo ao consumo que vai passar a comer fora mais vezes. À procura do preço Ao contrário dos outros dois entrevistados, um residente de apelido Kuok reconheceu comer frequentemente fora de casa, principalmente ao jantar. Apesar de admitir que está cada vez mais caro, Kuok explicou que procura as melhores promoções e os restaurantes com menus, para “sair mais em conta”. “Sempre que como fora procuro os programas de pontos para ter descontos ou outras promoções. E se não houver qualquer promoção nem considero a possibilidade de comer nesse restaurante”, contou. Kuok exemplificou que num dos restaurantes que frequenta existe um programa de descontos em que se carregar o cartão de cliente com 500 patacas recebe 70 patacas grátis. Nesse espaço, relatou, é possível comer um menu com prato principal e bebida por 38 patacas, o que afirmou ser “um excelente preço”. Também uma residente de apelido Lei admitir “caçar” promoções para comer fora e relatou que costuma frequentar um espaço onde dois pratos principais, bebidas e um prato com vegetais custam “pouco mais de 100 patacas”, o que permite uma poupança de 10 patacas por prato. Face a esta promoção, considerou que ainda é possível comer fora com “bons negócios”, no entanto admitiu temer que cada vez mais restaurantes sigam o exemplo recente de algumas cadeias de restaurantes norte-americanos e subam os preços.