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É o primeiro evento dedicado ao mar e à cultura associada aos oceanos no território. O Festival de Cultura do Oceano de Macau espalha-se pela cidade e traz 11 eventos durante os meses de Agosto e Setembro

O território vai ter um festival dedicado ao mar. A partir de 12 de Agosto, o Festival de Cultura do Oceano de Macau vai trazer ao território uma série de actividades que pretendem assinalar a época quente e as férias ao mar e lazer. A iniciativa é promovida pela Associação de História e Cultura do Porto de Macau e tem como objectivo primordial “celebrar a longa cultura oceânica e as suas indústrias tradicionais”, diz o presidente da associação, Yat Fung, Chan, ao HM.

No total, são 11 actividades temáticas que passam pelas áreas artísticas, pela promoção de visitas guiadas e de oficinas para pais e filhos, desfiles de moda, realização de palestras e a criação e um espaço dedicado à leitura.

A ideia é associar aos acontecimentos a promoção ambiental. “O festival também promove a conservação da natureza”, revela Yat Fung Chan.

A necessidade de um evento deste tipo acontece num momento em que o mar é cada vez mais falado no território. Para Yat Fung Chan, Macau deve assumir a sua responsabilidade pela administração dos 85 quilómetros quadrados de área marítima lhes estão destinados. Por outro lado, considera, “torna-se necessário que a população conheça esta realidade com a qual convive muito de perto”.

“Macau é também um porto famoso estabelecido há mais de 400 anos e possui uma longa história e cultura”, recorda o presidente da Associação de História e Cultura do Porto de Macau. Os benefícios de ser uma região costeira são evidentes para Yat Fung Chan: “Temos hoje uma cidade à beira mar com belas infra-estruturas marítimas, uma arquitectura assinalável e, além disso, temos as indústrias ligadas ao mar como parte da nossa história”, diz. Em causa está a actividade piscatória e a construção naval. Aliada a esta circunstância geográfica, o responsável considera ainda que as religiões, tradições e manifestações culturais são únicas, dadas as especificidades do território.

Espaços para todos os gostos

De entre as actividades planeadas e em fase de planeamento para os meses de Agosto e de Setembro, Yat Fung Chan destaca algumas.

“Há um espaço dedicado às marionetas tradicionais chinesas”, refere. O trabalho com as sombras é uma forma de artesanato e cultura tradicional, e os espectáculos são dirigidos às crianças. O objectivo é abordar a questão dos oceanos de um ponto de vista contemporâneo e transmitir, desde logo, aos mais novos a importância em preservar este recurso natural.

No âmbito das palestras e ainda sem relevar nomes, o responsável avança com a realização de eventos que contam com a presença de profissionais conceituados. Entre eles destaca ecologistas, arquitectos urbanos, intelectuais e escritores. As temáticas não fogem à regra e vão andar entre a própria construção de Macau, do seu porto, do meio ambiente e, claro, o mar e as suas criaturas.

A moda tem lugar no Teatro Dom Pedro V, a par com o clube de leitura. O espaço para ler e trocar opiniões vai acontecer semanalmente, ao sábado.

O Lago Sai Van que, em tempos, foi mar vai acolher um navio antigo. O objectivo, diz Yat Fung Chan, é “fazer emergir uma atmosfera ligada às águas dentro da comunidade local”. “É uma ideia para recordar aos residentes a Macau de 1960 com os navios que na altura passavam por aqui”, explica.

“Teremos ainda uma actividade de limpeza costeira em colaboração com a International Coastal Cleanup”, aponta. A acção apresenta duas vertentes. Por um lado, a organização pretende reunir um grupo de voluntários para ajudar com a limpeza de uma parte da zona costeira de Coloane e, por outro, as garrafas recolhidas serão objecto de transformação. “Vamos fazer delas lanternas para usarmos nas comemorações do festival do bolo lunar”, avança.

Uma ajudinha na política

As políticas governamentais para as águas territoriais ainda estão no estágio inicial e o caminho para a sua implementação ainda agora começou. “Pode ainda levar algum tempo para serem visíveis estas aproximações com a área marítima”, afirma Yat Fung Chan. É aqui que a associação à qual preside pode vir a ter um papel de relevo. “Acreditamos que, como ONG, a associação pode ajudar a promover a ideia de que a história e a cultura do porto de Macau são úteis para o seu mais recente desenvolvimento, no que respeita a turismo cultural e à indústria cultural e criativa”, aponta. O responsável considera ainda que o primeiro passo é promover e informar outras pessoas sobre a cultura oceânica local.

Entretanto, a associação está a avançar com “algumas pesquisas do património cultural intangível sobre navios e pescadores”.

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