Vasco Flores, engenheiro electrotécnico

“Macau aproxima pessoas”

Filipa Araújo -
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Chama-se Vasco Flores, é engenheiro electrotécnico e abraçou a aventura de viver em Macau por tempo indeterminado. “Em Macau devemos viver um dia de cada vez, tudo pode mudar, as coisas não são lineares como pensamos”. É assim que Vasco Flores abre a conversa com o HM.
Depois de muito viajar pelo mundo, o engenheiro começou a dar sinais de cansaço devido às “muitas horas de trabalho e a uma remuneração insuficiente”.
Portugal, um país de sonhos, fez acordar a população com a sua crise e falta de condições de trabalho. O desemprego bateu à porta de muitos e cortou nas remunerações de outros. Depois de passar por vários países – Cabo Verde, Suíça, Irlanda, Cuba, Angola – o engenheiro electrotécnico começou a pensar de forma mais séria na possibilidade de sair do país de forma fixa.
E como quem procura, encontra, Vasco Flores acabou por receber um convite para voar para este lado do mundo. 12011700_10207415605052200_316391948_o
“Através de amigos comuns fui contactado com esta oportunidade, aqui para Macau”, explicou, acrescentando que, depois de tudo definido, embarcou “nesta aventura” que supostamente seria apenas de um ano, terminando em Julho de 2015.

Culturalmente diferente

O bom trabalho e o conhecimento prestado pelo engenheiro levaram a que outras oportunidades surgissem e, depois de terminado o projecto que trouxe Vasco Flores ao território, a possibilidade de ficar por cá tornou-se uma realidade.
O primeiro impacto foi claro: o clima e a diferença cultural. “Apesar do choque cultural, nomeadamente dos hábitos cívicos, ainda se nota uma certa influência portuguesa, como o nome das ruas, os restaurantes. Mas é evidente que há pequenas coisas que fazem sentir que estamos do outro lado do mundo, como por exemplo o clima” argumenta. “A humidade é das coisas mais impressionantes aqui, quando damos por nós estamos a suar de cima a baixo”, explica, admitindo traços de recém-chegado a Macau.
Ser coordenador de uma equipa de nacionalidade chinesa também não se mostrou tarefa fácil. “Tenho experiência profissional em vários países e culturas e trabalhar com chineses não é fácil. Como orientador de uma equipa temos de assumir muitas vezes uma postura mais séria, ao contrário de outros países. Por exemplo, em Angola se falamos de forma mais ríspida é muito possível que o trabalhador olhe para o chefe e vire as costas, aqui é diferente, eles vêem o coordenador com uma postura mais autoritária”, relata.
Ainda assim uma coisa é certa: “somos nós [portugueses] que somos a matéria estranha ao território e somos nós que, se estivermos mal, temos que ir embora”.

Intensamente amigos

A decisão foi tomada e, sem fechar a porta às mudanças da vida, Vasco Flores acabou por aceitar ficar por cá. A maior prova disso foi o convite que se estendeu à sua esposa, para que o casal se aventurasse na Ásia. Ainda assim, mesmo com amigos e família do outro lado do mundo, aqui, neste pequenino espaço da China, os novos amigos parecem de sempre. 12043658_10207415513209904_1652318603_o
“Macau aproxima as pessoas, as relações são intensas. É mesmo muito fácil fazer amigos, até porque fazemos muitas coisas e mais vezes com eles. Os almoços, os fins-de-semana. Estamos do outro lado do mundo, sem a família é normal que isto aconteça. Isso é muito bom”, enumera.
A comunidade portuguesa patente em Macau é também apontada como uma vantagem que facilita a integração. “Acho que a comunidade portuguesa sabe receber e acaba por nos integrar e mostrar sítios e outras coisas. Caso contrário, se estivéssemos do outro lado do mundo, sem ninguém, seria mais difícil”, defende.

De sorriso na cara

Macau deve ser encarada com a mente carregada de optimismo, caso contrário as viagens de táxi, exemplifica, poderão tornar-se uma tragédia. “Temos que nos rir, temos que encarar isso de forma positiva, se nos enervamos só vai complicar”, conta, relembrando várias aventuras que já teve com as viagens de táxis. “É uma problemática de Macau e isso já se sabe”, remata.
Os menus de vários restaurantes só em Chinês, ou a incapacidade de falar Inglês dos funcionários são outro dos exemplos dados pelo engenheiro. “Fazemos à sorte e arriscamos. Pode calhar uma coisa boa ou não, até podemos não saber o que estamos a comer, mas temos de nos rir com isso”, acrescenta.
Macau e as suas pessoas fazem parte da vida de Vasco Flores e agora também da sua esposa e isso o tempo não mais vais apagar. O futuro é uma incógnita e o que interessa é “o dia que se está a viver” e o hoje é aqui, deste lado do mundo.

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