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Aarte de pompoar data uns 3000 anos e tem sido desenvolvida dentro de vários nichos culturais asiáticos – Índia, Japão, Tailândia e China – para desenvolver formas de prazer sexuais. Quem já foi à Tailândia lembra-se bem de ter sido insistentemente incomodado por senhores de tuk-tuk a soprar as palavras ‘ping-pong’ para os vossos ouvidos. Os interessados certamente que foram ver vaginas a atirar bolsas de ping-pong a distâncias incríveis, estas são vaginas com uma vida muito peculiar – até se viam vaginas fumadoras. As suas detentoras têm um controlo incrível da sua pélvis porque praticam o pompoarismo, e por isso conseguem entreter o público com todo um número de actividades – vaginais.
Desenganam-se se acham que este é um tipo de actividade para os ‘escolhidos’ e que é um dom dos deuses do entretenimento sexual. A verdade é que com alguma prática, muito exercício e perseverança, qualquer detentor de uma vagina será capaz de praticar a arte de pompoar. Para quê? Pensarão vocês ‘Eu não a quero exibir truques vaginais tabagistas – nem atirar bolas de ping-pong a ninguém’. Claro, o objectivo não será a exibição (contudo, não há julgamento absolutamente nenhum se quiserem desenvolver a prática dessa forma), o objectivo será o de ter controlo sobre os vossos músculos pélvicos, desenvolve-los e fortificá-los, para um sistema reprodutor feminino mais saudável e feliz.
Esta prática foi inicialmente desenvolvida para intensificar o prazer sexual. Quando se tem um controlo tão aprofundado do vosso interior feminino, poderão excitar um pénis sem ter que mexer as vossas ancas de uma forma agitada – o vosso interior e o vosso controlo sobre ele tratará disso – para além de que sentirão com mais detalhe tudo o que se passa dentro de vocês. O exotismo asiático contribuiu para que esta arte milenar se tornasse numa forma de entretenimento – mas houve quem entendesse o potencial médico e de prevenção. O Dr. Kegel adaptou alguns exercícios para o fortalecimento dos músculos pélvicos na prevenção de incontinência urinária, prolapso do útero ou da bexiga, que são problemas comuns de quem já tem uma certa idade. O pompoar traz, por isso, todas estas vantagens para a saúde, com esquemas de exercícios regulares, mas sobretudo, traz auto-reconhecimento. O nosso sistema reprodutor que ovula, menstrua, orgasma, lubrifica, limpa, produz muco, cria vida e mantém-na protegida durante nove meses, merece algum reconhecimento e atenção. Pompoar também é uma forma eficaz de preparação pré-gravidez e parto, estimulando elasticidade e força.
Isto é quase como a revolução mindful da vagina, bem sei que corro o risco de soar new age, mas se cada vez mais se promovem exercícios para potenciar saúde e bem-estar através da meditação, na atenção no aqui e no agora, penso que as nossas partes íntimas começam a ser merecedoras de atenção focalizada que vai para além do coito. Não esquecendo, claro, que deveríamos perceber melhor a nossa própria fisionomia, como é que é composta e como é que funciona. Saber identificar as mucosas e o corrimento saudável e o não saudável, perceber quando ovulamos, perceber a nossa menstruação e saber atenuar a dor. Para quem já tem um controlo invejável das paredes pélvicas depois de muitos anos de pompoar fala de vantagens invejáveis em práticas sexuais – a solo ou com um parceiro – de uma flora vaginal restabelecida, de mais saúde e de um maior conforto no geral.
Os programas de práticas de pompoar são diversos e só precisam de perder uns minutos do vosso dia a treinar a vossa vagina com exercícios passivos ou activos, por vezes, com a ajuda de acessórios. Surpreendentemente, a internet tem alguma informação sobre pompoar, mas não muita. Para isso tenho que recomendar a Carmo Gê Pereira, com quem tive o grande privilégio de muito recentemente fazer um workshop de pompoarismo. A Carmo é uma educadora sexual para adultos que sempre recebeu práticas, ideias, conceitos e identidades sexuais de braços abertos – e partilha com os demais. Passem no site e desfrutem: carmogepereira.com. Se estão à procura de um novo hobby, porque não pompoar?

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