Cinema | “Boat People”, de duas portuguesas, seleccionado para festival em Washington

“Boat People”, um filme de Filipa Queiroz e Lina Ferreira, foi recentemente seleccionado para marcar presença num festival de cinema dedicado aos temas com impacto social em Washington. É a primeira paragem de um filme que as realizadoras querem ver “por todo o lado” e que trata, através da representação de refugiados, de temas actuais como o racismo, xenofobia e a busca por um outro lugar para chamar de casa

Ofilme “Boat People”, que esteve presente na edição deste ano do Festival de Cinema e Vídeo de Macau, vê agora o nome na selecção do “Global Impact Film Fest”, em Washington. Inserido na programação de curtas-metragens, o filme que em Maio deu a conhecer a vida de quem saía de barco do Vietname para fugir de uma guerra integra, agora, as curtas de um festival dedicado à apresentação de películas sobre temas de impacto mundial.
A selecção de “Boat People” é factor de agrado para Filipa Queiroz. “O facto de ser exibido nos EUA, mais do que fazer pensar na participação do país na Guerra do Vietname – até porque nem é esse o conflito presente no filme -, é simbólico numa altura em que questões como o acolhimento de refugiados, a xenofobia e o racismo estão na ordem do dia”, diz a realizadora ao HM.

Um filme de esperança

“Boat People” não explora apenas o conflito em si. “Foca-se na ideia do que é ser refugiado e, em ultima instância, faz um paralelismo entre o que era ser refugiado naqueles tempos e hoje em dia”, esclarece Filipa Queiroz. A película nasceu de uma ideia conjunta com Lina Ferreira. As duas jornalistas residentes em Macau foram à procura de histórias que “são postas debaixo dos buracos” e esta “caiu-lhes no colo”.
O assunto que lidera a actualidade foi uma procura de quem em tempo de guerra deixava o Vietname em busca de um porto a salvo. Mais que um retrato de uma realidade, como frisou Filipa Queiroz em entrevista ao HM em Maio, foi um projecto que representa “uma mensagem de esperança, coragem e gratidão”. Hoje a realizadora, satisfeita com a selecção, reafirma: “é um exemplo feliz de uma história que normalmente é contada com a tónica na tristeza”.

Em busca de outros portos

A internacionalização de “Boat People” começou com Washington, mas o objectivo é que chegue a “todo o lado”. Canadá e Portugal seriam locais de eleição para Filipa Queiroz, até porque os protagonistas são refugiados que passaram por Macau e neste momento estão em Vancouver, o que tornaria esta numa oportunidade de “lhes prestas a devida homenagem”, como afirma a portuguesa. Por outro lado, a RAEM estava sob alçada lusa na altura da história.
Mas não é fácil ir além fronteiras. “Hoje em dia para nos candidatarmos a participar em festivais de cinema independentes temos que pagar e muitas vezes, depois de seleccionados, temos que voltar a pagar para que que o filme seja projectado”, afirma a realizadora. “O cinema independente passou de uma arte a um negócio” e se isso permite a existência de mais festivais deste género, o que representa um factor positivo, no revés da medalha por vezes “não é fácil reunir os meios necessários à devida divulgação e participação internacional”.
Por cá, uma nova projecção já está na calha. Neste momento são duas as entidades interessadas e “que até pagam um valor simbólico pela cedência do filme”, diz Filipa Queiroz, confessando alguma surpresa. Fica para já a certeza que a TDM irá transmitir a história do “Boat People”, em data a anunciar.

3 Ago 2016