Fidel e a complexidade da relação com a China 卡斯特罗:“不到长城非好汉。”

[dropcap style≠’circle’]F[/dropcap]idel de Castro morreu a 25 de Novembro de 2016,  com 90 anos de idade. O Presidente da China, Xi Jinping, leu uma mensagem na abertura do noticiário da noite da CCTV: “O povo chinês acaba de perder um companheiro bom e leal. O Camarada Fidel viverá para sempre.”

Em Janeiro de 1959 Fidel de Castro, à frente da Revolução Cubana, derrubou o regime pró-americano de Batista e estabeleceu um governo revolucionário. Foi o início de uma era política que durou  mais de 50 anos. O relacionamento entre a China e Cuba desenvolveu-se rapidamente desde os acordos criados em 1960, e Cuba tornou-se o primeiro país latino-americano a ter relações diplomáticas com a China. Durante o seu longo mandato Fidel teve contactos com várias gerações de líderes chineses.

Em retrospectiva:

A 2 de Setembro de 1960 Cuba proclamou a primeira Declaração de Havana. Fidel de Castro reiterava o estabelecimento das relações diplomáticas com a República Popular da China. No entanto, a “profunda amizade” não se viria a concretizar e, até à morte de Mao em 1976, os dois países socialistas mantiveram-se distantes devido à ligação fechada de Cuba com a União Soviética, a “rival” da China nos anos 60.

Em  Novembro de 1993, quando Jiang Zemin visitou Cuba, Fidel preparou-lhe uma cerimónia muito especial e condecorou-o com a Medalha Jose Marti, a maior homenagem que o Governo cubano pode prestar a um estadista estrangeiro. A seguir à queda da União Soviética, no início dos anos 90, Cuba ficou “órfã” e a China disponibilizou-se para apoiar Fidel incondicionalmente. Nos primeiros anos da década de 90, Cuba importou 500.000 bicicletas da China. Mais tarde a China ajudou a construir várias fábricas de bicicletas na Pátria de Fidel. Nos anos que se seguiram as bicicletas tornaram-se o principal meio de transporte em Cuba.

A 29 de Novembro de 1995 Fidel chegava a Pequim e foi recebido de forma muito calorosa no aeroporto. No dia seguinte, Jiang Zemin homenageou-o com uma cerimónia de boas vindas na capital. Beberam champanhe e assinaram um acordo de colaboração entre os dois governos.

A 1 de Dezembro de 1995 Fidel subiu à Grande Muralha. Na altura declarou que tinha sentido pela primeira vez que “Ninguém pode ser um herói sem ter visto a Grande Muralha”, um trecho de um poema de Mao Tsé Tung. Na sua auto-biografia Fidel defendeu que Mao teria de ser lembrado como um dos maiores políticos, estrategas e líderes militares de sempre.

Em 2003, com 80 anos de idade, Fidel voltou a visitar a China fazendo-se acompanhar desta vez pelo filho e pelo neto. Foram recebidos por Jiang Zemin no Grande Salão do Povo. Este gesto ajudou a incrementar a colaboração de longa data entre os dois regimes e “agradou profundamente” ao velho líder cubano.

A 21 de Julho de 2014, Xi Jinping chegou a Havana para iniciar uma visita oficial a Cuba. Os dois chefes de estado tinham-se conhecido em 2011, quando Xi visitou Cuba noutra ocasião. No final desta vista de estado, Xi enviou parabéns antecipados a Fidel.

No passado dia 25 de Setembro Li Keqiang visitou Castro e mantiveram uma longa conversa.

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