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O “Quebra-nozes” está, até domingo, no Centro Cultural de Macau. Interpretada pelo Ballet de Hong Kong, a apresentação marca o fim de oito anos de direcção artística da sueca Madelaine Onne. O espectáculo é dirigido a todas as idades, numa recriação do clássico de Tchaikovsky

 

Madelaine Onne está de saída da direcção artística do Ballet de Hong Kong, não sem antes passar por Macau para uma apresentação especial do clássico “Quebra-nozes”. “É uma versão diferente porque foi feita especialmente para nós, pelo australiano Terence Kohler, e foi concebida enquanto forma de celebração do Natal. Como em Hong Kong não celebramos, efectivamente, a época, o sentimento foi misto e o resultado foi a construção de uma história passada num mundo de sonho através de uma casa de bonecas”, explicou Madelaine Onne num encontro com a imprensa.

A presente edição do “Quebra-nozes” é dirigida a um público vasto em que as crianças são bem-vindas. No entanto, esta não é razão para que as plateias não sejam preenchidas com adultos. Se a experiência com os mais novos tem sido gratificante, para Madelaine Onne a peça não é menos positiva para os adultos. “Hoje em dia todos temos uma vida cheia de stress, com famílias e trabalho, e também nós precisamos de entrar nos teatros e ver outros mundos”, justificou.

Além do clássico

A “bailarina” do “Quebra-nozes” é interpretada por Yao Jin, que veio do Ballet Nacional de Pequim. Para a agora bailarina principal da companhia de Hong Kong, a mudança “concretizou um sonho”. A formação na capital foi de excelência, mas “não era suficiente”. “Queria sair e ter a oportunidade de tocar, de uma forma mais directa, o que vinha da cultura ocidental”, explicou. “Encontrei isso aqui: a companhia integra o factor liberdade e foi aí que consegui juntar a formação clássica a um ballet novo e mais contemporâneo.”

Madelaine Onne reitera as palavras da primeira bailarina. Um dos grandes objectivos aquando do ingresso na direcção da companhia, há oito anos, era esse mesmo: possibilitar a criação de um estilo pessoal nos seus bailarinos. “Quando cheguei encontrei profissionais magníficos que se copiavam uns aos outros na perfeição e de onde eu vinha era muito diferente: não tínhamos a mesma excelência técnica e, por isso, éramos obrigados a desenvolver outras capacidades”, recordou.

Ryo Kato interpreta o “Quebra-nozes” e não podia estar mais de acordo: “é realmente muito diferente trabalhar aqui.” O bailarino japonês passou por Portugal e pela Rússia ao longo da formação. Do primeiro trouxe a liberdade de movimentos e uma abertura ao ballet contemporâneo; do segundo, a formação clássica tradicional. Agora junta ambas.

Para Onne, o desafio de juntar o lado artístico e criativo à perícia era grande, e hoje é possível ver com facilidade o estilo de cada um. Por outro lado, a valência criativa é notória em palco. “Todos os espectáculos são diferentes porque há sempre coisas a acontecer e a serem adaptadas naquele momento.”

O caminho não terá sido fácil e levou cerca de dois anos a conseguir sair da cópia para a concriação. “No início eles achavam que eu era louca em pedir para fazerem algo diferente, e hoje tenho de pedir para pararem porque já têm o seu processo criativo individual de forma natural.”

Para o efeito, a directora tentou, sempre que possível, trazer coreógrafos que trabalhassem directamente com os bailarinos, com uma peça definida ou com recurso a temas. O desenvolvimento foi significativo e agora, nas digressões, a diferença é reconhecida.

O Ballet de Hong Kong conta actualmente com cerca de 50 bailarinos vindos de 11 países. Sem residência, o trabalho é duplamente difícil. “Alugamos estúdios mas, às 18h, temos de sair, o que impede o desenvolvimento de determinadas opções que vão aparecendo”, esclareceu Madelaine Onne. No entanto, a companhia aguarda a concessão de um local de trabalho nos novos espaços de West Kowloon.

O “Quebra-nozes” está no Centro Cultural de Macau hoje e amanhã, às 19h30, e domingo às 15h.

 

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