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Não é novidade que, em Macau, o tratamento do lixo não é bem feito e acho que já nenhum residente estranha a super baixa taxa de reciclagem de materiais essenciais, como o papel, o plástico, o vidro e o metal. É que, como quase todos consideram que não fazer reciclagem é algo muito comum aqui, o caminho acaba por ser esse: a população prefere não ser amiga do ambiente.
Mas a péssima situação no território não se deve simplesmente à falta de consciência das pessoas. É um problema crítico que tem responsabilidades de vários lados. A Direcção de Serviços de Protecção Ambiental (DSPA) só faz promoção: é do uso de transportes públicos e menos carros privados, de prémios de hotel verde, prendas por sorteio a quem não usar saco plástico quando fizer compras, é organizar visitas à zona ecológica em Cotai… Porque não colocar, simplesmente, mais caixotes para facilitar a vida aos cidadãos que queiram fazer reciclagem?
Talvez porque os chamados “pontos de recolha pública de recursos residuais” sejam da responsabilidade do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM), entidade que não tem competência para avançar com uma protecção ambiental mais séria. Essa missão deveria ser da DSPA.
Uma pesquisa no site do IACM mostra que, de facto, existem mais de 200 pontos de reciclagem em toda a cidade. Como é que não é suficiente? Eu tento explicar, até porque isto que vou contar já me aconteceu: estive na futura biblioteca do Patane e queria encontrar um ponto de recolha de recursos residuais por perto. Só consegui depois de subir até à praça em frente ao Jardim de Camões, ou andando cerca de 600 metros até à Doca do Lam Mau ou Bacia Norte do Patane. Se os materiais que quisesse reciclar fossem muitos e pesados, não teria a mínima vontade de andar a pé até lá. A minha intenção de fazer reciclagem foi completamente destruída. Não percebo porque é que o Governo não pode pôr pontos de reciclagem em todos os pontos de recolha de lixo.
Mas a péssima experiência de reciclagem em Macau não acaba aqui. Uma mulher de Taiwan que tinha o hábito de fazer reciclagem e que vive, agora, em Macau partilhou a sua experiência “incrível” na página do Facebook “Nickie in Macau”.
Será que algum leitor sabe onde se pode fazer reciclagem de pilhas no território? Sim? Não? Esta taiwanesa também não e, por isso, questionou a DSPA. “Para a reciclagem de pilhas, deve deslocar-se à Estação de Tratamento de Resíduos Especiais e Perigosos, ao lado da Central de Incineração de Resíduos Sólidos. É preciso reservar antes de se deslocar”, respondeu uma funcionária.
O quê? A compra de pilhas é tão fácil mas os cidadãos precisam de ir ao Pac On fazer reciclagem? O Governo considera que um residente normal prefere ir até lá do que deitar pilhas num caixote de lixo que está ao lado de sua casa? Penso que isto é uma grande vergonha para Macau face ao que se passa no estrangeiro.
Além disso, todos os anos, quando se aproxima o Ano Novo Chinês, o IACM apela aos cidadãos a não deitarem as mobílias de grande dimensão ao lado de pontos de recolha de lixo, mas sim a chamar um camião ou a Companhia de Sistemas de Resíduos (CSR) para transportar estes móveis à Central de Incineração de Resíduos Sólidos. Sim faz todo o sentido, mas duvido se a maioria de residentes tem conhecimento disso e, mesmo que saiba, no ângulo de um cidadão comum, quem não quer mudar de coisas velhas para novas o mais rápido e barato possível? Quem é que prefere pagar para as coisas que já não precisa, em vez de as deitar fora, no lixo normal?
O lixo aqui está sempre em fase de estudo. Depois de estudos sobre a cobrança de resíduos de construção e de sacos de plástico, agora o Governo continua a pagar milhões a outros para fazer estudos sobre a cobrança de lixos domésticos. Não posso dizer que fazer estudos não é útil, e inclusive a ideia de cobrança de lixos domésticos é prática e já foi apelo de grupos de protecção ambiental. Mas irrito-me com o baixo nível de Macau, com o dinheiro constantemente gasto e que não chega a nenhuma conclusão. É como o deputado Ng Kuok Cheong costuma dizer: “Um parvo com tanto dinheiro.”

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