Paulo José Miranda

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José Saramago atribuiu-lhe o primeiro prémio literário com o seu nome. Viveu na Ásia, no Médio Oriente e no Brasil. De escritor-promessa a persona non grata no meio literário, Paulo José Miranda, licenciado em Filosofia, é poeta, escritor e dramaturgo, e tem obra publicada.

A humanidade como conspiração: Matriz e Budismo

Numa época em que abundam teorias da conspiração, vamos acercar-nos de um filme que tem como base o encaminhamento de buda, isto é, um modo de pensar espiritual cujo objectivo é alcançar a consciência plena. E este modo de pensar pode também ser visto como a revelação de um segredo: a humanidade conspira contra ela mesma

Animais Nocturnos, de Tom Ford – A Génese da Criação

Pois o que está em causa aqui é que o humano habitua-se de tal modo ao que lhe acontece.

A vida vai ao cinema e o António Cabrita também

Hoje vamos viajar por um livro muito especial. Um livro que parte de um personagem de cinema para levantar voo numas reflexão e diversão acerca do nosso contemporâneo, com os pólos no cinema em geral e João César Monteiro em particular, e arte e literatura em geral e Fernando Pessoa em particular

A doer, “Johnny Guitar”, de Nicholas Ray

O filme é assim uma espécie de catálogo de amores. No presente, no passado e no futuro. Na realidade e no imaginário. Um dos filmes vai desenrolando-se através da ganância e do poder e o outro através do amor.

Quer o número de contribuinte na factura? – Danos e virtudes, de Ivone Mendes...

Se é natural que o ambiente do livro seja na sua maioria o quotidiano, porque é esse o ambiente natural da vida humana, Ivone Mendes da Silva não deixa, contudo, de precisar a estranheza que isso mesmo causa em quem lê

Quer o número de contribuinte na factura? – Danos e virtudes, de Ivone Mendes...

Um destes dias, semanas atrás, para ser pouco preciso, a poeta e ensaísta Maria João Cantinho falou-me de um livro, que tinha saído na editora Língua Morta, no ano passado: Dano e Virtude, de Ivone Mendes da Silva. Fiquei curioso, daquele modo que nos faz ir vasculhar as estantes da biblioteca

“In a Lonely Place”, de Nicholas Ray, construir o outro

“In A Lonely Place” começa com Dixon a conduzir o seu descapotável, à noite, até que pára num semáforo, onde outro carro descapotável já estava parado.

“Belarmino” de Fernando Lopes, uma nova figura mítica

Flmado em 1964, um ano depois da apresentação de O Acto da Primavera, de Manoel de Oliveira – filme ao qual todos os cineastas em Portugal ficaram a dever, de um modo ou de outro, como escreve João Mário Grilo em O Cinema da Não-Ilusão, “esta obra [O Acto da Primavera] explica toda a relação do cinema português com a realidade e esse espaço de relação entre a representação e o real.

“O Cavalo de Turim” de Béla Tarr ou a prisão da existência

Um dos pontos de vista fundamentais que encontramos no filme “O Cavalo de Turim” é o de vermos que o humano poder viver um vida inteira preso no quotidiano da existência.

Arca Russa

Não nos incomoda sequer não pensar em tudo isto, a não ser episodicamente, como se de um surto de curiosidade se tratasse.

O Talento Invejado ou “A Single Man” de Tom Ford

Entenda-se por amor erótico o equilíbrio entre os afectos e o desejo sexual entre duas pessoas, tal como o escrevia Platão há já algum tempo. E talvez se tenha de ter um talento para esse amor erótico como aquele que se tem para a música

Blow Up de Antonioni e Hermenêutica

Em Blow Up, de Antonioni, ficamos depostos no sentido daquilo que é o acto hermenêutico. O filme mostra a vida do fotógrafo Thomas, em Londres, em 1965-6, o período áureo da chamada swinging pop.

LEVINAS – terceiro movimento

Para Levinas, toda a filosofia é a história do egotismo. A filosofia pensa o si mesmo, o Mesmo e não o Outro, a Totalidade e não o Infinito. A filosofia moderna e contemporânea, desde Descartes, é uma filosofia da subjectividade do Eu.

Levinas – Segundo movimento

A minha experiência do Outro, se assim podemos dizer, dá-se na morte do outro. Porque a minha própria morte é a morte do outro. O cuidado que cada um tem em tardar a sua própria morte, em cuidar de si, não deriva de nós, mas do outro

LEVINAS – Primeiro movimento

Levinas nasceu na Lituânia e passou a infância e a adolescência na Rússia. Chega a França com 18 anos, onde faz a universidade, em Estrasburgo. Aí conhece e torna-se amigo de Maurice Blanchot, uma amizade que durará a vida toda, pautada por uma enorme cumplicidade e reconhecimento mútuo.

O espanto do corpo

Platão, em Teeteto, escreve que o início da filosofia dá-se com o espanto ou a admiração (thaumazein, em grego). É esse sentimento (pathos) que espoleta o filosofar

Heráclito responde a Parménides

O pensamento ontológico de Parménides mostra-nos a radical diferença entre a verdade e a opinião. A primeira alcança-se através do espírito, da consciência, e a segunda através dos sentidos

A SOMBRA DE PARMÉNIDES

Ele diz aqui uma coisa fundamental, que hoje pode parecer, por um lado uma redundância e por outro um absurdo: há dois caminhos para o pensar, o do ser e o do não-ser, sendo que este não é

Conversão e Existência

Conversão é uma palavra importante no Novo Testamento, que tem a sua etimologia no grego clássico, epistrophe, de onde é original a palavra

A última garrafa

DOUTOR: Julga que alguém vai acreditar no que aqui se passou?

A última garrafa (num consultório privado)

Diga-me uma coisa, você já contou essa sua doença a alguém, para além de mim?

A última garrafa (Num consultório privado)

RAUL: Então o que é que está em causa, doutor? DOUTOR: Remédio. O que está em causa é o remédio. Os outros encontram-no e você não. É isto que está em causa.

A última garrafa

Por exemplo, isso, a vida, não lhe pode estar a doer todo o tempo. Mesmo agora, você parece bastante calmo, a conversar e a beber whisky. Está a perceber?

A última garrafa

O que quero dizer é que a vida, para mim, não é vida. É e não é. É, porque estou vivo e tenho as minhas responsabilidades como todos os outros.