Paulo José Miranda

137 ARTIGOS 0 COMENTÁRIOS
José Saramago atribuiu-lhe o primeiro prémio literário com o seu nome. Viveu na Ásia, no Médio Oriente e no Brasil. De escritor-promessa a persona non grata no meio literário, Paulo José Miranda, licenciado em Filosofia, é poeta, escritor e dramaturgo, e tem obra publicada.

Os factos são lendas – A mulher do padeiro, de Marcel Pagnol

E tudo isto se passa numa contínua tensão entre o humor e a tragédia. Aliás, humor é já uma forma de tragédia, um entendimento profundo de algo que sob a capa aparente do riso esconde uma tristeza

O álcool e o tempo

A experiência de beber bastante implica viver num presente do indicativo infinito, ou que tende para o infinito do presente. Deixar de beber não é o mesmo que nunca ter bebido

Uma vida a arder

E se conseguíssemos nos suicidar apenas por fechar os olhos, quando estamos deitados numa cama, num sofá ou no chão – imaginemos um modo especial de fechar os olhos dizendo para si mesmo “quero morrer” e que isso acontecesse – o índice de suicídios quintuplicava ou até decuplicava.

A Trumpização da linguagem

Queixamo-nos de Donald Trump pelo parco vocabulário que evidencia, repetindo sempre as mesmas palavras, como se ele mesmo fosse um estrangeiro recém chegado à sua língua

“Quando uma mulher sobe as escadas” – para nada -, de Mikio Naruse

O cinema japonês, que teve uma imensa influência em muito do cinema europeu, acabou por ficar reduzido a três nomes, fora do Japão, e mesmo assim restrito a cineastas: Kensi Mizogushi, Yasujiro Ozu e Akira Kurosawa (este claramente o mais conhecido e também o mais ocidental dos cineastas japoneses)

“Pintor e a cidade”, de Manoel de Oliveira – Um amor inequívoco pelo essencial

Hoje vamos abordar um filme algo esquecido da filmografia de Manoel de Oliveira. Trata-se de um documentário a cores, filmado em 1956. Grande parte daquilo que virá a ser os pilares estéticos na obra de Manoel de Oliveira – a outra encontraremos sete anos mais tarde em O Acto da Primavera – começa em O Pintor e a Cidade.

Virar gente, Vidas Secas de Nelson Pereira dos Santos

É um filme acerca do qual não se escreve sem perturbação. Porque o filme é perturbação pura.

A actualidade de “Terra em transe”, de Glauber Rocha

Em 1964 um regime militar derruba o governo democrático do presidente João Goulart e institui a ditadura. Em 1967, Glauber Rocha filma Terra em Transe – que nesse ano vence o Prémio da Crítica no Festival de Cannes – e traça uma estranha fábula acerca do Brasil, que pode ser estendida à América do Sul

A vida não tem futuro ou “Para além do paraíso” de Jim Jarmusch

Em Stranger Than Paradise (Para Além do Paraíso), Jim Jarmusch toca-nos uma das mais contemporâneas melodias acerca do não sentido da vida humana.

A humanidade como conspiração: Matriz e Budismo

Numa época em que abundam teorias da conspiração, vamos acercar-nos de um filme que tem como base o encaminhamento de buda, isto é, um modo de pensar espiritual cujo objectivo é alcançar a consciência plena. E este modo de pensar pode também ser visto como a revelação de um segredo: a humanidade conspira contra ela mesma

Animais Nocturnos, de Tom Ford – A Génese da Criação

Pois o que está em causa aqui é que o humano habitua-se de tal modo ao que lhe acontece.

A vida vai ao cinema e o António Cabrita também

Hoje vamos viajar por um livro muito especial. Um livro que parte de um personagem de cinema para levantar voo numas reflexão e diversão acerca do nosso contemporâneo, com os pólos no cinema em geral e João César Monteiro em particular, e arte e literatura em geral e Fernando Pessoa em particular

A doer, “Johnny Guitar”, de Nicholas Ray

O filme é assim uma espécie de catálogo de amores. No presente, no passado e no futuro. Na realidade e no imaginário. Um dos filmes vai desenrolando-se através da ganância e do poder e o outro através do amor.

Quer o número de contribuinte na factura? – Danos e virtudes, de Ivone Mendes...

Se é natural que o ambiente do livro seja na sua maioria o quotidiano, porque é esse o ambiente natural da vida humana, Ivone Mendes da Silva não deixa, contudo, de precisar a estranheza que isso mesmo causa em quem lê

Quer o número de contribuinte na factura? – Danos e virtudes, de Ivone Mendes...

Um destes dias, semanas atrás, para ser pouco preciso, a poeta e ensaísta Maria João Cantinho falou-me de um livro, que tinha saído na editora Língua Morta, no ano passado: Dano e Virtude, de Ivone Mendes da Silva. Fiquei curioso, daquele modo que nos faz ir vasculhar as estantes da biblioteca

“In a Lonely Place”, de Nicholas Ray, construir o outro

“In A Lonely Place” começa com Dixon a conduzir o seu descapotável, à noite, até que pára num semáforo, onde outro carro descapotável já estava parado.

“Belarmino” de Fernando Lopes, uma nova figura mítica

Flmado em 1964, um ano depois da apresentação de O Acto da Primavera, de Manoel de Oliveira – filme ao qual todos os cineastas em Portugal ficaram a dever, de um modo ou de outro, como escreve João Mário Grilo em O Cinema da Não-Ilusão, “esta obra [O Acto da Primavera] explica toda a relação do cinema português com a realidade e esse espaço de relação entre a representação e o real.

“O Cavalo de Turim” de Béla Tarr ou a prisão da existência

Um dos pontos de vista fundamentais que encontramos no filme “O Cavalo de Turim” é o de vermos que o humano poder viver um vida inteira preso no quotidiano da existência.

Arca Russa

Não nos incomoda sequer não pensar em tudo isto, a não ser episodicamente, como se de um surto de curiosidade se tratasse.

O Talento Invejado ou “A Single Man” de Tom Ford

Entenda-se por amor erótico o equilíbrio entre os afectos e o desejo sexual entre duas pessoas, tal como o escrevia Platão há já algum tempo. E talvez se tenha de ter um talento para esse amor erótico como aquele que se tem para a música

Blow Up de Antonioni e Hermenêutica

Em Blow Up, de Antonioni, ficamos depostos no sentido daquilo que é o acto hermenêutico. O filme mostra a vida do fotógrafo Thomas, em Londres, em 1965-6, o período áureo da chamada swinging pop.

LEVINAS – terceiro movimento

Para Levinas, toda a filosofia é a história do egotismo. A filosofia pensa o si mesmo, o Mesmo e não o Outro, a Totalidade e não o Infinito. A filosofia moderna e contemporânea, desde Descartes, é uma filosofia da subjectividade do Eu.

Levinas – Segundo movimento

A minha experiência do Outro, se assim podemos dizer, dá-se na morte do outro. Porque a minha própria morte é a morte do outro. O cuidado que cada um tem em tardar a sua própria morte, em cuidar de si, não deriva de nós, mas do outro

LEVINAS – Primeiro movimento

Levinas nasceu na Lituânia e passou a infância e a adolescência na Rússia. Chega a França com 18 anos, onde faz a universidade, em Estrasburgo. Aí conhece e torna-se amigo de Maurice Blanchot, uma amizade que durará a vida toda, pautada por uma enorme cumplicidade e reconhecimento mútuo.