Amélia Vieira

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As móveis estradas de Eros

Aqui estamos como que filtrados e caídos na Terra, em cima dela, movendo-nos na horizontal, uma linha deitada nos traça os movimentos e só subidos vamos quando nas passagens aéreas descolamos os pés do solo.

Gustavo Adolfo Bécquer

Estamos, os da minha idade, naquele tempo em que mais, muito mais, do que a receptividade ao novo, somos automaticamente levados a recordar, a lembrar...

Baleia azul

Apareceu esta estranha designação que tem por detrás práticas destrutivas e incentivo à destruição como meio de averiguar o limite das capacidades quando norteadas por um engenhoso cérebro de « Encantador de Serpentes»

Tempo de ser a coisa outra

A transparência nada nos diz que transpareça grande coisa nas questões que hoje nos propomos contemplar

Orpheu e Salvador

Os mitos órficos são suficientemente carregados de simbolismo para que se retirem deles ilações e não raro aspectos factuais a um determinado momento da...

Holderlin

A partir de uma curvatura subtil da língua devíamos ter um trema ali por cima do "o" mas não existe mais na nossa gramática, nem a ninguém lembra agora voltar a colocá-lo, um pouco como os chapéus que tirados não mais voltam por norma às cabeças

Os ramos da palmeira

O meu amado é alvo e rosado, distingue-se entre dez mil....são cachos de palmeira os seus cabelos .... «Cântico dos Cânticos» Procurar o Amado-ela- capítulo cinco versículo dez.

A Máquina do Mundo

Camões fala-nos aqui de uma mais que provável imagem mítica por si adaptada, mas que máquina é o Mundo nesta ideia maquinante que domina a nossa mente?

Sinónimos de configuração moderada

No labirinto cada vez mais laborioso da palavra entram formas de aparente refinamento gramatical mas que nada acrescentam ao já denominado estado das coisas.

Reflexões lexicais

A língua, elemento altamente contorcionista do aparelho fonador, gerada e não criada, consubstancial ao som, por ela todas as coisas foram feitas, e por elas feitas, e por elas começadas, de novo há-de aparecer no cimo das Nações para julgar os vivos e os mortos.

Lou Andreas-Salomé

Mas ela tem para além destes mitos, pessoas incríveis e uma delas é Lou Andreas-Salomé.

A Barca da Morte

D. H. Lawrence tem um belo poema muito ao estilo de uma velha barcarola, com o título deste enunciado. Talvez que a morte seja um Dilúvio e sejamos nós a construir a Arca, a Barca, para atravessar aquela grande provação de águas que galgam toda a firme certeza que tivéramos de haver terra.

Do superior interesse das crianças

Não foram passados séculos desde o tempo em que uma criança pelo facto de o ser lhe era negado o querer. De forma mais branda ou rigorosa, a voz delas era uma expressão paralela onde se rasurava de vez a vontade própria, caso tivessem a ousadia de se insurgirem.

A tarde serena

Prosseguimos calmamente num brando tempo que só tem anos e muitas ausências como companhia e, se a nossa vida iguala a vida de um outro ser vivente, é porém a nossa história que a assina como elemento único e triunfal, sem a noção de que vivemos por algo que valha a pena: as tardes, mesmo serenas, podem ser indizíveis abismos.

A candelária

Existem no calendário católico aspectos extraordinários com elementos de impregnada redundância simbólica e nesta medição do tempo estamos assentes no Calendário Juliano e mergulhados no Gregoriano, calendários solares que entretanto colidem com esferas de festividades.

O Endovélico

Na primeira Lua-Nova de Janeiro começa para os chineses o Ano do Galo, donos de um bonito bestiário que define o seu calendário, diz a lenda que foi Buda que os convocou e lhes deu as características

Todo este deserto

Escrevemos devagar, os dias são lentos, as estradas fugidias, as ausências gigantes.

O tempo dos assassinos

Em Outubro de 1955, no centenário de Rimbaud, Henry Miller dá a conhecer a sua obra mais tocante acerca do até aí seu desconhecido Arthur Rimbaud, « O Tempo dos Assassinos».

Camões e o céu

O início do século vinte foi verdadeiramente inovador e de uma dimensão moderna sem precedentes, começando pelo Futurismo de Marinetti , o Simbolismo, o Cubismo e todas as formas que ousaram avançar e transformar os signos linguísticos e as estruturas criativas em elementos de plena mudança social.

Do amigo e do amado

Quando a Terra era maior e os homens mais pequenos por uma proporcionalidade de escalas o amor também perfilhava do mistério insondável da demanda do saber, vivendo-se na ilusão expansionista de uma Boa-Nova e tecendo-se histórias que levadas de um local para outro começavam a denotar um carácter de lenda, na distante Idade Média fundara-se o estatuto do romeiro e do eremita que tanto oravam a santos como a poetas na linhagem da herança do Império do Al-Andaluz.

Carta ao pai

Aproximamo-nos do Natal que tal como o seu nome indica é uma festa dedicada à Natividade, ao grande projecto que é ser nascido sempre por um mistério mais vasto do que a fecundação ou anunciação.

Um Canto de mim mesmo

Recordo-me de - My Captain - "meu capitão jaz morto e frio" na madrugada exacta da morte daquele que para uns é ígneo de ferocidade, para outros a luz que faltava, para muitos um resquício do «Crepúsculo dos Deuses» e para outros um rico, muito rico, disfarçado Comandante.

Não entres docilmente nessa noite escura

Dylan Thomas, o quase ainda romântico escritor inglês, nascido no início do século passado, anda distante do movimento surrealista, mas próximo do círculo iniciado nos finais do século XIX por Freud e também do legado das expressões míticas que tanto se fizeram sentir em Yeats como em T.S. Eliot.

Esta é a voz da Europa

No momento em que vivemos é importante a voz de Ezra Pound, esse chamado poeta maldito, designação que não passa de uma interpretação interpelada, interpelante, sempre pouco assertiva, dado que não são eles – ele, neste caso – a causa provável das maldições.