Amélia Vieira

100 ARTIGOS 0 COMENTÁRIOS
info@hojemacau.com.mo

RENÉ CHAR

Olhamos o mundo de modo estranho quando ao redor não vemos os Homens - ao redor - gravitam agora os assimilados de uma antiga espécie desaparecida

AL- ANDALUZ

A saudade é um sentimento requintado, devemo-lo muito a judeus e árabes, os povos que mais civilização transportam e que prendem de memória os espaços ocupados.

Caminhos errados

É este o título de um livro de Aquilino Ribeiro, livro esse de novelas, tendo incluído para teor aquele que aqui nos traz «Menos sete»

Castor e Pólux

Estamos na era dos filhos gémeos, eles nascem de forma talvez pouco espontânea mas a realidade deste fenómeno não pára de crescer

Cronólogo

Estamos a iniciar um novo Ano com a sensação de transpormos uma porta deixando para trás os embates vividos, saldando dívidas, reciclando os cismas, atestando as fórmulas, esperançados que uma qualquer bonança nos acolha e providencie o fluxo no tempo circular

Arcas

David dançava enquanto ela se movia; Pessoa pensava enquanto ela se mudava

Deus Ex-Machina

Findo o Ano, recapitulamo-lo. Ano este que foi ateado pelas penas flamejantes do Galo de Fogo que a todos não só aqueceu como abrasou, carbonizou, fazendo jus à labareda

A Vinda

Neste momento todos os ânimos se ateiam no Médio Oriente devido a um agente incendiário que irracionalmente governa o mundo

Ouro, Incenso e Mirra

Mais tarde as serpentes vêm com suas bocas abertas mas na voragem dos solos nada terão para tragar

O dom das lágrimas

Sofrer é um nobre mistério se interpretarmos a vida como uma manifestação onde a dor é presença constante

Os Prémios

Os imensos esforços de camaradagem forçada que se denota nestes ambientes impulsiona o mais desprevenido a desejar sair dali.

O ovo de Símias de Rodes

Este poema inaugural foi escrito três séculos antes de Cristo e aparece-nos como um primeiro poema visual

Escorpião

Urdiduras, sinais, rebentações. Transformamo-nos. E agora que a morte é tabu, acabarás como Urizen por ver consumado o perpétuo isolamento do teu mundo

Ai flores de verde pino

Oito séculos depois do rei amigo ter plantado o seu pinhal as chamas deste ano o devoraram.

Uma frescura de asas

Descarnar, não querer efeitos, retirar o excesso de humano, vencê-lo, secar o pântano acre-doce do instinto que alimenta espectros - movimento extinto.

A China fica ao lado

Estar em Macau é como aterrar na Lua, ou algures na Galáxia, onde a grande mobilidade nos acelera de modo estranho, talvez metabolicamente

Um vermelho tardio

Para Oriente nos fascina a cor vermelha - a sua cor vermelha - tão diferente daquelas que conhecemos.

Intertextualidade e poema

Quem se move na esfera do poema sabe o quanto inacabado um verso é.

A narrativa do crescimento

O herói passa por metamorfoses, sim, mas o mito do crescimento quase se esconde. O aprendizado da dor como manobra de crescimento não tem aqui significado.

1888

Há anos especiais e números que se repetem como anunciados. Este oito, três vezes repetido, é uma miríade de números, sem dúvida, mas neste ano a trindade poética nasceu como se fora um octogonal propósito: Pessoa, Ungaretti, Eliot

Definitivos

A legenda de um tempo pode ser feita a partir dos títulos comerciais para o consumo.

Como água que corre

Nenhum poeta, nenhum artista, detém sozinho o seu completo significado e tudo o que herda é de árduo labor.

Livre Pauvre – Livre Riche

Falo de uma criação que há muito galgou o espaço da sua origem e tem unido poetas e pintores pelo mundo « Livre Pauvre-Livre Riche», criado por Daniel Leuwers, professor de literatura na universidade de Tours, crítico literário e especialista de Rimbaud.

A ressurreição da rosa

Diz a lenda que rosas nascidas no Inverno são prenúncio de mau agouro. Talvez por isso a exclamação do rei não tenha sido de desconfiança mas de receio, de súbita apreensão, nesta altura ainda ele plantava uma nação feita de baldios por todas as áreas recentemente conquistadas e a cavalo conhecia bem o país e dele tirava amplas vantagens de generosos acolhimentos.