Amélia Vieira

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Os ramos da palmeira

O meu amado é alvo e rosado, distingue-se entre dez mil....são cachos de palmeira os seus cabelos .... «Cântico dos Cânticos» Procurar o Amado-ela- capítulo cinco versículo dez.

A Máquina do Mundo

Camões fala-nos aqui de uma mais que provável imagem mítica por si adaptada, mas que máquina é o Mundo nesta ideia maquinante que domina a nossa mente?

Sinónimos de configuração moderada

No labirinto cada vez mais laborioso da palavra entram formas de aparente refinamento gramatical mas que nada acrescentam ao já denominado estado das coisas.

Reflexões lexicais

A língua, elemento altamente contorcionista do aparelho fonador, gerada e não criada, consubstancial ao som, por ela todas as coisas foram feitas, e por elas feitas, e por elas começadas, de novo há-de aparecer no cimo das Nações para julgar os vivos e os mortos.

Lou Andreas-Salomé

Mas ela tem para além destes mitos, pessoas incríveis e uma delas é Lou Andreas-Salomé.

A Barca da Morte

D. H. Lawrence tem um belo poema muito ao estilo de uma velha barcarola, com o título deste enunciado. Talvez que a morte seja um Dilúvio e sejamos nós a construir a Arca, a Barca, para atravessar aquela grande provação de águas que galgam toda a firme certeza que tivéramos de haver terra.

Do superior interesse das crianças

Não foram passados séculos desde o tempo em que uma criança pelo facto de o ser lhe era negado o querer. De forma mais branda ou rigorosa, a voz delas era uma expressão paralela onde se rasurava de vez a vontade própria, caso tivessem a ousadia de se insurgirem.

A tarde serena

Prosseguimos calmamente num brando tempo que só tem anos e muitas ausências como companhia e, se a nossa vida iguala a vida de um outro ser vivente, é porém a nossa história que a assina como elemento único e triunfal, sem a noção de que vivemos por algo que valha a pena: as tardes, mesmo serenas, podem ser indizíveis abismos.

A candelária

Existem no calendário católico aspectos extraordinários com elementos de impregnada redundância simbólica e nesta medição do tempo estamos assentes no Calendário Juliano e mergulhados no Gregoriano, calendários solares que entretanto colidem com esferas de festividades.

O Endovélico

Na primeira Lua-Nova de Janeiro começa para os chineses o Ano do Galo, donos de um bonito bestiário que define o seu calendário, diz a lenda que foi Buda que os convocou e lhes deu as características

Todo este deserto

Escrevemos devagar, os dias são lentos, as estradas fugidias, as ausências gigantes.

O tempo dos assassinos

Em Outubro de 1955, no centenário de Rimbaud, Henry Miller dá a conhecer a sua obra mais tocante acerca do até aí seu desconhecido Arthur Rimbaud, « O Tempo dos Assassinos».

Camões e o céu

O início do século vinte foi verdadeiramente inovador e de uma dimensão moderna sem precedentes, começando pelo Futurismo de Marinetti , o Simbolismo, o Cubismo e todas as formas que ousaram avançar e transformar os signos linguísticos e as estruturas criativas em elementos de plena mudança social.

Do amigo e do amado

Quando a Terra era maior e os homens mais pequenos por uma proporcionalidade de escalas o amor também perfilhava do mistério insondável da demanda do saber, vivendo-se na ilusão expansionista de uma Boa-Nova e tecendo-se histórias que levadas de um local para outro começavam a denotar um carácter de lenda, na distante Idade Média fundara-se o estatuto do romeiro e do eremita que tanto oravam a santos como a poetas na linhagem da herança do Império do Al-Andaluz.

Carta ao pai

Aproximamo-nos do Natal que tal como o seu nome indica é uma festa dedicada à Natividade, ao grande projecto que é ser nascido sempre por um mistério mais vasto do que a fecundação ou anunciação.

Um Canto de mim mesmo

Recordo-me de - My Captain - "meu capitão jaz morto e frio" na madrugada exacta da morte daquele que para uns é ígneo de ferocidade, para outros a luz que faltava, para muitos um resquício do «Crepúsculo dos Deuses» e para outros um rico, muito rico, disfarçado Comandante.

Não entres docilmente nessa noite escura

Dylan Thomas, o quase ainda romântico escritor inglês, nascido no início do século passado, anda distante do movimento surrealista, mas próximo do círculo iniciado nos finais do século XIX por Freud e também do legado das expressões míticas que tanto se fizeram sentir em Yeats como em T.S. Eliot.

Esta é a voz da Europa

No momento em que vivemos é importante a voz de Ezra Pound, esse chamado poeta maldito, designação que não passa de uma interpretação interpelada, interpelante, sempre pouco assertiva, dado que não são eles – ele, neste caso – a causa provável das maldições.

Furor e mistério

Saber que o mal vem sempre de mais longe do que pensamos e que nem sempre morre na emboscada que lhe lançámos. René Char Esta é...

De Profundis

A arte como epístola deixou há muito de fazer sentido dado que todas as formas de comunicação directa nos distanciaram deste exercício quase lendário...

Ser a vida inteira

Vinho! A jorros! Que ele palpite nas minhas veias! Que ele fervilhe na minha cabeça! Taças... Depressa! Eu já envelheci... Omar...

Boca do inferno

«Afastai-vos de mim que aguardo sem boca; aos vossos pés nasci, porém vós me perdestes; bem demais com o meu fogo demarquei o meu...

Terra Queimada

Gostamos dos destinos que se desprendem das coisas que herdaram, dos que numa só existência sobem as montanhas com seus cascos, por vezes ensanguentados,...

Um fonema para ti

"A língua que transporto é um veredicto e não sei falar.» O aparelho fonador fica assim como longa estrada que nos permitiu uma evolução...