Malandro e Princesa

Família, infância – Legendas sem Fotografias (9)
Recordações de M.

Aqui estou eu, com a cruz ao peito, mas com ar malandro. Está aqui a minha vida toda. Sempre tive este sorriso de quem diz: estão a ver-me aqui, mas eu estou também noutro lado. É de alguém que se diverte com a vida.

Sempre percebi isso, sem humor e um sorriso a vida não se leva a bem como uma maleta pouco pesada. Tem que se ter pouco pesa na mala, isso é evidente. (pausa) E o riso também é importante para a sedução. Um sorriso é o mais importante. Sempre o usei desta maneira. Como se me estivessem a fotografar e eu tivesse que estar com ar sério, mas, ao mesmo tempo, quisesse mostrar que era um rebelde. Quando uma fotografia nos apanha assim, a sorrir, significa que não somos dominados por ela. A imagem não manda em mim. É isso que eu estou a dizer aqui nesta fotografia. Não estou aqui na vida só para ser um bom obediente. Não quero ficar bem na imagem, quero divertir-me também. Foram bons tempos estes, mas agora também são. Estou bem velho, mas continuo com aquele ar malandro. Acho que quando morrer e abrirem o caixão eu vou estar com este ar malandro. Podem fotografar à vontade que não me vão apanhar com ar sério.

Recordações de C.

Pareço uma princesa, não é? Como as imagens enganam. Não sou de todo uma princesa. Acho que sou um bocadinho mais abaixo (risos). Abaixo de princesa é o quê, duquesa? Nunca soube as hierarquias militares ou estas. Mas no mínimo gostava de estar logo abaixo de uma princesa, é disso que me lembro. Como se fosse uma possível substituta de princesas. Como no futebol, se um jogador jogo mal entra outro. Eu podia entrar, caso a princesa se magoasse ou ficasse feia (risos). Por mim, não me importava até de ser eu a lesionar a princesa (risos) desde que ninguém visse. Estou a brincar.

a partir da Natureza Fantasma de Marco Martins e Companhia Maior

Subscrever
Notifique-me de
guest
0 Comentários
Inline Feedbacks
Ver todos os comentários