Flores e ninguém no quarto – Mulheres de Itália (25)  

Hesperia põe água nas flores e diz que elas só quando são afogadas é que respiram.
Honesta fala nos ventos fortes que só destapam as saias das mulheres que têm amantes.
Hugolina diz com o seu modo atabalhoada de falar que vem aí um bombardeiro americano para destruir à bomba o vírus de que toda a gente fala.
Higinia está a secar a roupa e a queixar-se da falta de sol.
Honor tem aerofobia e cada vez que escuta o som de avião grita como se a tivesse a pisar.
Humbalda embirra com o namorado da irmã.
Hilaria está constantemente a abrir a janela e a fechá-la como se a casa precisasse de respirar a um certo ritmo, e a abertura e o fecho das janelas fossem essenciais para isso.
Honorata diz que se pusermos muita água no sangue, o sangue ganha uma cor sem interesse nenhum.
Humildad reclama na lavandaria do bairro porque uma das suas camisas brancas está agora completamente rosa.
Hilda diz que é a paciência que faz os escravos. Sem paciência, não havia escravatura, diz – e é muito aplaudida.
Honoratas faz uma careta ao espelho a imitar o lábio descaído da sogra.
Hildeberta está a ver fotos de moinhos antigos e a estudar as muitas formas de o vento se tornar útil.
Honoria está com dores de barriga e diz que não é do período.
Jacaranda põe a mão no coração para contar as batidas provocadas pela sua ansiedade.
Jamila não conhece aquele caminho e por isso está, ao mesmo tempo, a olhar para a frente e para trás para ver se ninguém a segue.
Jazlyn terminou agora mesmo um discurso na faculdade e é muito aplaudida por algumas pessoas que sabe que a detestam.
Jacinta é cega desde nascença e por isso já se habituou àquelas pancadas do joelho nas mesas.
Jane interpreta um texto de grego antigo e tem um lápis de bico grosso na mão.
Jazmín escreve um e-mail que termina com a frase: vai à merda!
Jacqueline diz em voz baixo, estou grávida. Mas não há mais ninguém no quarto.

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