Os filmes, as moscas, o vento – Mulheres de Itália (24)  

Hermilda elogia o filme que não teve paciência para ver.
Helen limpa os dedos dos pés com vinho do porto e canta o hino de Itália de uma maneira que nenhum amigo percebe.
Henedina limpa com um pano o pó por cima da fotografia dos pais.
Herminia diz que a virgindade é um centímetro quadrado e ri-se muito.
Hermione desenha um pénis no quadro sem ninguém ver.
Hildegarda está no hospital com tubos no nariz e na boca e de repente pensa que ela própria é um sistema de canalização autónomo e que, por uns tubos, passa a morte, e por outros passa a vida.
Horacia aperta mais o casaco porque está cheia de frio.
Hermisenda põe sapatos altos e empina o rabo para o espelho.
Hildegunda tem um termómetro na mão e está assustada com o número que viu.
Hortencia tenta perceber quanto valem mil dólares modernos em antigas liras italianas.
Hermogia está de braços cruzados à espera de que os médicos lhe digam que o pai morreu.
Hipodamia está inerte, mas a enfermeira diz que não está morta.
Hortensia acaba de matar uma mosca com a fotografia do casamento dos pais.
Hermosa quer mudar de vida depois de a tempestade passar, mas pensa que, se a tempestade passar rápido, ela não vai ter tempo para mudar de vida.
Hipólita está na rua e pensa que se ficar mais três noites fora de casa entra de certeza na estatística italiana dos vagabundos.
Hospicia tranca-se dentro do quarto e grita que vai engolir a chave para que a mãe nunca mais entre ali para lhe espiar o diário.
Hersilia estuda a órbita de um planeta e diz que, quando a pandemia passar, o céu vai ficar mais claro e certamente os telescópios vão encontrar mais um outro planeta qualquer que estava escondido.
Holda perdeu o telemóvel e está aos gritos por ele como se o telemóvel tivesse ouvidos ou fosse uma criança pequena.
Huberta partiu a bacia numa queda estúpida, mas está bem mais preocupado com os seus pulmões.
 

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