Cartas e Empurrões – Mulheres de Itália (22)  

Giuliana está a pensar que é genial mas tem três anos.
Giulitta está a raspar, com uma espátula, o nome do marido no anel de ouro. 
Giuseppa está a subornar o pai fingindo que se ri muito com as anedotas dele.
Giuseppina acerta o tom de voz para não denunciar o seu desprezo por aquela menina pobre que entrou na sala. 
Giusta usa pela primeira vez saltos altos e fica com uma bolha enorme no pé-direito e não percebe porque é que o pé direito é diferente do esquerdo.
Glenda está pela primeira vez a pôr a língua na boca de Giulio.
Gloria chama à mãe burra burra burra, três vezes seguidas para ela não esquecer.
Godeberta está a pensar que o que leva debaixo da camiseta é mesmo dela e não é algodão para encher o sutiã como algumas colegas usam.
Godiva está a olhar para uma carta que recebeu quando tinha dezoito anos, carta que só repetia como ela era bela e por isso começa a chorar porque já não tem dezoito anos, tem oitenta.
Grazia caía muitas vezes ao chão porque a sua colega Diletta a empurrava por pura maldade.
Graziana diz que é necessário encontrar a dose certa de disciplina para acalmar aquela menina “que não se sabe comportar com o fracasso”.
Graziella diz que a morte naqueles meses parece monocórdica e má e não sabe dizer porquê.
Greta diz a enfermeira-chefe que foi abandonada pelo marido pela segunda e última vez.
Griselda diz logo que sim àquele rapaz e fica muito excitada.
Guenda repreende a jovem Fiorella e diz que há ali velhos mais inteligentes do que ela e que os velhos nem sempre vão ficando mais parvos com a idade.
Guendalina tem uma pele que brilha de forma intensa e que a envergonha porque ela quer passar despercebida.
Gundelinda aproxima o nariz de um pêssego bem maduro e respira-o como se o pêssego fosse uma droga.
Hada cai da cadeira diz: foda-se.

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