Mulheres de Itália (17)

Ambulâncias e pés feios

 

Ebe ouve o barulho estridente de uma ambulância e em vez de fechar os ouvidos fecha a boca porque não quer gritar.
Edda está ao lado dos pais no sofá e finge ter fome e mexer na barriga, mas de facto está a tocar ao de leve no sexo.
Edelberga está com raiva porque na escola ninguém sabe ainda o seu nome.
Editta está a fazer a planta transversal da futura casa do filho, mas este ainda tem um ano e mal gatinha.
Edvige diz a Fiore que o pai já foi proibido de entrar em casa pela mãe e pela polícia.
Egizia toca pela primeira vez na terra e como domina ainda mal a linguagem diz: puta para a terra como se isso fosse uma palavra bonita.
Egle diz a Federica que as convicções são para atirar pela janela fora quando se está com medo e quando se quer encontrar um namorado depois dos quarenta anos.
Elaide está paranoica à procura de uma luva debaixo do sofá, mas a luva não está debaixo do sofá.
Elda está nua em cima da cama, de costas, com joelhos e mãos em cima do colchão, a pensar quando é que isto acaba?
Elena abre a torneira da água da casa de banho para o namorado não ouvir os seus intestinos.
Eleonora está a jogar ao jogo do galo no hospital, mas sabe que vai morrer.
Elettra sai em bicos de pés para não perceberem que ela vai sair de casa e nunca mais vai voltar.
Eliana abre a persiana, mas o dia está tão escuro que quase nada muda no seu ânimo.
Elide está a falar via zoom, mas a internet não está boa por isso ela grita de tal maneira que fica rouca.
Elimena abana a cabeça a Daniela e diz que ela agora chorou bem pior do que da última vez.
Elisa insulta o político que está na televisão, e desenha no ecrã uns cornos na cabeça dele com uma caneta que comprou ontem e lhe disseram que é mesmo adequada para escrever em ecrãs.
Elisabetta tenta aprender latim, mas as sirenes das ambulâncias não a deixem concentrar.
Elisea olha para os pés pequenos e feios e pensa que preferia manter os pés pequenos e feios, mas ser mais alta uns centímetros.
Ella ouve Deanna dizer que a dor é mais forte do que a curiosidade e apetece-lhe beliscá-la para ela deixar de ser parva.
Eloisa começa a gritar no chuveiro de uma maneira que lembra o filme Psico do Hitchcock.
Elsa quer visitar a mãe que está no hospital, mas dizem-lhe que a mãe já não está no hospital e ela não percebe se foi mudada se morreu.

Subscrever
Notifique-me de
guest
0 Comentários
Inline Feedbacks
Ver todos os comentários