Mulheres de Itália 5

Ancilla é advogada e tenta resolver ao telefone mais um problema complicado entre vizinhos. Ela sabe que quanto mais tempo durar a má vizinhança mais ela vai ganhar dinheiro e por isso alonga a conversa e finge gostar das anedotas que o ingénuo cliente conta não percebendo que mais uma anedota é mais tempo que ele vai pagar no fim.

Andromeda sobe para cima de um banco porque disse que viu um rato, mas Andreo garante que não era um rato mas um outro bicho qualquer. E diz que um dia vai haver no mundo uma inundação de ratos e essa expressão assusta-a ainda mais e ela começa a gritar.

Angela tem um ar duro e pesado e está debaixo de um motor a confirmar se as válvulas foram roubadas ou envelheceram. Tem óleo na cara e cospe para mostrar que é igual a qualquer outro bruto que está por ali.
Angelica está vestida de bailarina, mas o vestido tem mais de vinte anos e ela já nem cabe nele, nem sabe os passos.

Anita diz ao irmão Cralo – que tem dois anos e não entende nada – que quer mudar para Paris no próximo ano, que já não aguenta Itália e que quer começar uma vida nova e ter um namorado francês.

É mais fácil ter um namorado francês, se viver em frança – diz ainda ela ao irmão que não percebe uma palavra.

Anna lê o jornal e sorri para Alberti. E diz: as notícias estão sem sentido. E depois diz ainda: Vou começar a ler as frases de trás para a frente a ver se, em vez de desastres e mortes, surge algo melhor.

Annabella lê uma carta antiga da mãe e descobre que o pai não é aquele que está na sala há muitos anos, não é aquele que agora está há muitas horas a arranjar as cordas do violino para ela tocar.

Annagrazia está no pátio e chama puta a uma amiga que está no primeiro andar e que se escondeu atrás da janela.

Puta, puta, puta.
Quem rouba o namorado de Annagrazia já sabe que não vai dormir bem durante muitos meses.
Puta, puta, puta, repete Annagrazia.

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