Mulheres de Itália (3)

Alberta faz questão de todas as manhãs se pentear em frente ao espelho

Alberta faz questão de todas as manhãs se pentear em frente ao espelho e se pintar como se fosse ver muita gente.
Está sozinha, mas põe Manu Chao e fica contente. Não sai de casa.
Albina tem um pequeno jardim na parte de trás do seu estúdio, mas não vai para lá porque tem medo do olhar de inveja dos vizinhos.
Albina só não tem medo do olhar de Gustavo, do terceiro andar, porque Gustavo já morreu. Mas vai ter medo do olhar da mulher de Gustavo, quando ela regressar do hospital.
Alcina sai de casa rapidamente para levar comida ao seu papá.
Toca à campainha do seu papá, mas ele não atende.
O que se passa, pensa Alcina. E está assustada.
Alda lê um livro de Pasternak e por vezes levanta a cabeça e olha para a janela.
Quer cortar o cabelo todo para ficar feia e não pensar mais em sexo. É assim que ela pensa.
Para acabar com o desejo.
Vou cortar o cabelo para não querer mais foder.
Dominico ao lado dela, ri-se.
Alessandra quer ver crescer o filho que tem sete anos e por isso ficou sobressaltada quando ontem repentinamente o menino começou com tosse e febre.
Alessia ri-se do medo que tinha dos ratos e lembra-se de como um dia um ratinho entrou em casa e ela subiu para um banco à pressa, desequilibrou-se e bateu com a nuca na parte de trás da arca que tinha todas as fotografias antigas da família.
Lembra-se ainda que se não fosse o seu ex-marido a socorrê-la ela hoje já não estaria viva. Mas também não estaria com estes medos todos.
Alfonsa tem dezoito anos e vai à janela e grita pelo Inter de Milão. Tem um cachecol ao peito que lhe foi dado pelo seu pai.
Alfreda trabalha com cegos e como seu trabalho está interrompido, por causa dos obras e do medo, pensa como estarão eles, os cegos, a lidar com isto tudo.
Alice tenta desdobrar um papel que o marido amarrotou.
É o mapa de Itália, o marido está furioso.
Alida experimenta uns sapatos novos e os pés doem.
Diz: não há problema por os pés doerem, não é grave.
Alina telefonou ao irmão Carlo e disse: se eu morrer, filma e fotografa o meu filho todos os meses e manda-me as fotos e os filmes.
Mesmo depois de morta quero vê-lo crescer, disse ainda Alida.

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