Desenhos e matemática

1.

Médico ginecologista judeu alemão.
Estudou aviação e astronomia.
Morreu em 1968.
As temperaturas mais baixas atacam partes do corpo desprevenidas.
Os infográficos de Fritz Kahn que no século XX explicavam a gripe, a estrutura do corpo, a linguagem e o desejo. Explicavam tudo.
No século XXI, o gráfico tenta explicar, mas tropeça nas linhas e fica a balbuciar, meio mudo.

2.
Tudo o que pode ser desenhado pode ser verdadeiro.
Podemos desenhar algo e o seu contrário. Daí o perigo.

3.
Dias e noites e dias.
Miguel Cardoso lembra que Zeus trata bem aquele “que dispõe a casa/ e sabe o caminho da cama à cozinha/ o nome do vizinho, o tempo oportuno”. E que Zeus trata bem aquele que conhece ainda “os utensílios necessários, os trilhos que conduzem/ de volta à sala depois do campo vasto.”
Um trilho que vem do campo vasto e nos amarrota na cadeira – mas pouca gente vem hoje do campo vasto.
Diminuiu de tamanho o mundo, e tudo que é vasto se vê de longe.

4.
A nossa carta ser secreta, a carta dos outros ser acessível facilmente, eis a questão, mas colocada a grande escala; à Escala dos Estados e da guerra. Guerra micro e macro entre dois desejos: quero perceber o essencial do outro, quero esconder o essencial do outro.
Pensar nos grandes códigos secretos em tempo de guerra.

5.
Turing e uma carta que escreveu à própria mãe falando da sua investigação matemática e da possível aplicação em máquinas com um sistema “quase impossível de descodificar e muito rápido de codificar”.
No final da carta, pergunta à mãe: “tenho dúvidas sobre a moralidade de semelhante coisa? Qual é a tua opinião?”.
O matemático e a mãe.

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