Duas histórias de família e uma frase  

 

1. O abutre

Um abutre é colocado num frasco, com buracos para respirar, frasco grande, da altura do animal, que é colocado na despensa, ao lado de outros frascos mais pequenos que contêm arroz, massa, sal, açúcar, etc.

A criança alimenta o animal como se alimenta um pássaro pequeno. Aquele frasco tem todos os dispositivos de uma gaiola.

O abutre foi encontrado ainda pequeno, cresceu dentro daquela gaiola em forma de frasco, gaiola transparente de vidro.

Os pais da criança sabem que o abutre, mesmo crescendo numa casa humana, não esquece os seus instintos nem aprende boas maneiras, mas a criança ainda não estudou biologia e está na idade em que não escuta os pais.

Um domingo, aproveitando a saída dos pais, a criança vai à despensa e traz com esforço o frasco para o quarto deles. A criança nem sabe que os abutres voam. Ou talvez saiba muitos outros pormenores de que nem fazemos a mínima ideia. O certo é que a criança fez o seguinte: abriu o frasco e fechou a porta deixando o abutre no quarto dos pais. Por ela, não mais abriria a porta.

Quando os pais voltassem na semana seguinte, ou talvez no mês seguinte – quem sabe ao certo quanto tempo os pais demoram a regressar – quando eles voltassem e abrissem a porta do quarto iriam ter uma surpresa – e a criança não sabia ao certo se a surpresa seria boa ou má para os pais; mas de qualquer maneira quando pensava nisso, quase de forma inconsciente, sorria.

2. A tarântula

As fêmeas das tarântulas mediterrâneas (Lycosa Tarantula) que devoram os machos depois de terem sexo com eles, geram maior número de descendentes e, cada um deles, com mais aptidão para sobreviver.

As fêmeas das Lycosa Tarantula que não devorarem o macho terão filhos mais fracos.

3. Agustina

“O casal é um organismo de uma simplicidade impressionante.”

fim


ILUSTRAÇÃO: ANA JACINTO NUNES

 

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