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Teresa Fernandes tem 16 anos e a convicção de que um futuro melhor é possível. A adolescente, que frequenta o 11.º ano na área das Ciências Económicas, não anda a ver o mundo de longe. As acções e decisões que já toma reflectem um olhar atento para as necessidades, actuais e futuras. A escolha académica é também um exemplo disso. Se a prioridade seriam as humanidades, a “economia pode dar mais oportunidades”. “É também uma área que me interessa muito e fundamental na actualidade”, disse ao HM. O objectivo é possuir ferramentas capazes para, na medida do possível, “intervir no mundo e poder trabalhar, por exemplo, em organizações não-governamentais que se dediquem a ajudar quem precisa”.

Para a adolescente a saída é clara: “Um economista pode trabalhar em áreas além do universo financeiro e intervir activamente para a justiça”. Teresa Fernandes sublinha que “há muita coisa a mudar neste mundo porque roda tudo à volta do dinheiro”. “Gostava que não houvesse tanta injustiça social, gostava que acabasse o comércio de armas, por exemplo”, diz. No entanto, a esperança é maior que a desilusão: “O mundo é muito imperfeito mas, se houver mais controlo nalgumas áreas, poderá ser melhor. Isso parte muito de nós enquanto jovens, porque somos o futuro”.

E porque o dia de amanhã se prepara hoje, Teresa Fernandes embarcou, no Verão passado, naquela que foi a experiência da sua vida. A mais nova da equipa “Meninos do Mundo” passou uma semana em São Tomé e Príncipe, integrada numa missão de intervenção junto das escolas. A ideia foi dar a conhecer os direitos das crianças porque “elas muitas vezes não sabem que os têm e, se sabem, não sabem quais são”.

A experiência não foi a de umas férias num sítio bonito. Foi antes uma realidade que, apesar de mais ou menos esperada, “jamais será esquecida”. Antes de embarcar, fez o trabalho de casa. “Imaginei de tudo um pouco: como vivem as pessoas, o que comem, como me iriam tratar, como seria a pobreza, etc.”, recorda. No entanto, a realidade supera a imaginação, os livros ou os documentários televisivos. “Uma coisa é ver na televisão, outra é ver com os próprios olhos. Ver as coisas à nossa frente muda tudo, dá-nos a verdadeira noção da realidade e isso mudou a minha vida”, considera.

Das diferenças que nota do antes e depois de uma acção humanitária em São Tomé, a maior é o valor dado às coisas que possui. “Aprendi a valorizar o que tenho. Aquilo que as mães dizem desde que somos pequenas, para comer tudo porque há gente a morrer à fome, é verdade”. Na altura não entendia como é que a comida que deixava no prato poderia suprir as necessidades dos outros que, “tão longe”, não tinham com que se alimentar. Agora não tem dúvidas que, “acima de tudo, é uma questão de respeito”. “Depois de São Tomé, não faço questão de ter muitas coisas em casa e não compro por sistema aquilo de que não necessito verdadeiramente.”

A adolescente não deixou de fazer a analogia com Macau, “esta bolha que é tão rica”. “Aqui é tudo muito fácil. Viajo, vou a restaurantes, passeio, mas isto é um mundo à parte”, reflecte.

Esta, espera, foi a primeira de muitas missões que quer fazer no futuro porque acredita que, “mesmo com tão pouco, é possível mudar alguma coisa”.

Fotografias para contar histórias

Da missão ficou uma exposição de fotografia que Teresa Fernandes quer mostrar. “Já tinha ideia de fazer uma exposição depois da viagem para dar a conhecer a experiência de outra forma. Tive necessidade de guardar aquelas imagens que nos entraram pelos olhos”, recorda.

Depois de uma apresentação na Escola Portuguesa, a adolescente tem na mira a Fundação Rui Cunha, a Casa de Portugal ou o Consulado, em suma, “algum lugar visível para partilhar a experiência”.

A ideia da fotografia é, para a jovem, “importante para que se possa captar os momentos”. A experiência fica para sempre, “mas as imagens ilustram e comunicam com os outros: é como se fossem um livro”.

Mais do que momentos, a exposição foi concebida para criar uma linha de pensamento, para construir uma narrativa. Uma história que “retrate uma realidade distante e muito dura”. “Estamos a falar de pessoas que, apesar de muito pobres, conseguem ter em si a alegria.”

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