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O festival Fringe começa hoje e no cartaz tem o espectáculo “Antiwords” da companhia checa Spitfire. A peça é inspirada nos textos autobiográficos de Václav Havel e retrata a conversa entre dois homens. No entanto, “em vez das duas personagens masculinas, o diálogo é entre duas mulheres”, explicou o director artístico Petr Bohac ao HM.

A situação é passada numa cervejaria e representa uma conversa entre um intelectual – proibido de escrever, trabalha numa cervejaria – e o proprietário do estabelecimento. A interacção é absurda, cómica e dramática. Para a actriz Sonia Feriencikova, o que sobressai na peça é o humor que camufla o desenlace final. “É um trabalho com muitas camadas, das mais superficiais às mais profundas”, referiu.

O grupo que se dedica à representação do absurdo através do teatro físico assume que esta é uma forma de evitar enganos. “O corpo não consegue mentir. As palavras podem fazê-lo, e com muita facilidade, mas o corpo não”, defendeu Petr Bohac. Por outro lado, o movimento é uma linguagem universal que não depende de idiomas.

Para a actriz, também o corpo é um elemento de comunicação especial que “usa outros níveis de pensamento para comunicar com o público”.

A China chegou com as digressões e “Antiwords” permitiu o contacto com públicos diferentes. “Estivemos em Pequim e Xangai, por exemplo, e mesmo dentro do mesmo país, a ‘Antiwords’ teve um acolhimento distinto. Por exemplo, o público de Pequim é muito mais aberto do que o de Xangai, o que é um pouco surpreendente”, considerou o director. No entanto, sublinhou, o mais interessante é que “a audiência chinesa consegue sempre entender muito bem situações que envolvam o absurdo”.

A passagem por Macau não acarreta expectativas, mas antes curiosidade. Em cada espectáculo a companhia procura “o contacto com o público numa tentativa de mudar as pessoas”, rematou Petr Bohac.

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