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Um vídeo de um galgo vivo a ser cozido em água a ferver, na China, está a gerar constrangimento e diversas críticas nos jornais irlandeses e ingleses e nas redes sociais. As imagens – “chocantes”, como são descritas – voltam a levantar questões sobre o fim dado aos galgos do Canídromo, mas Albano Martins, da ANIMA, assegura que os cães que correm na pista do território não acabam no comércio de carne.
Ainda que cenas destas não sejam exclusivas a galgos, já que todos os anos são várias as raças que sofrem este tipo de acções, a notícia causou sensação na Irlanda – de onde vem a maioria dos galgos que correm no Canídromo da Yat Yuen em Macau – no passado fim-de-semana. O vídeo pertence à organização “Fight Dog Meat Australia”, que se dedica a expor crueldade para com os animais que acabam no comércio de carne no continente.
A organização indica que o caso aconteceu em Shijiazhuang, em Hebei. As imagens podem provocar náuseas aos mais sensíveis: o galgo é colocado dentro de um bidão com água a ferver e luta pela vida durante largos minutos, levando até a que dois homens tenham de segurar a tampa para que ele não saia. Transeuntes no local olham, uns riem, outros estão visivelmente enojados. O animal acaba por morrer, sendo retirado do balde já sem olhos e colocado no chão.
Apesar de cerca de dez milhões de cães – de acordo com activistas de protecção animal na China – serem mortos pela sua carne todos os anos, e de muitos deles serem furtados das famílias, o facto de ser um galgo que aparece no vídeo volta as atenções novamente para o Canídromo, a única pista de corridas legal na China e que se mantém sem um programa de adopção.
As organizações pró-animal, especialmente a ANIMA – Sociedade Protectora dos Animais, que tem vindo a dar a cara pela necessidade de um programa de adopção para os galgos do Canídromo, alertam para os mais de 300 galgos por ano que acabam eutanasiados. Mas, a possibilidade de que estes animais estejam a ser levados de cá para o continente para fins como este não é apoiada pelo presidente da ANIMA.

Outras proveniências

“Não. Os galgos de Macau saem mortos do Canídromo e os corpos são entregues a uma empresa contratada pelo Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais, para os levar para a incineradora de Macau”, assegura Albano Martins ao HM.
O problema está, indica o responsável, noutras duas questões: nos cães exportados pela Irlanda directamente para pistas privadas na China, “que na teoria não fazem dinheiro, mas que se suspeita que façam”, e para países como o Vietname, Índia e Paquistão. E nos cães exportados anteriormente pela Austrália que não eram esterilizados e que abriram a hipótese de haver criação na China.
Irlanda e Austrália são os dois principais fornecedores de galgos. Depois da Austrália ter banido a exportação, a Irlanda está a sofrer pressões nesse sentido, mas o país continua a lucrar com estas vendas, até porque “tem um excedente brutal” destes animais, como indica Martins ao HM.
A directora da PETA Reino Unido, Elisa Allen, disse ao Irish Post que, apesar desta ser uma maneira horrível de morrer, a verdade é que as pessoas deveriam pensar que também fazem isto ao marisco, como as lagostas. Já Rita James coloca-se do lado da ANIMA e recorda que casos destes não estão a acontecer só na China, havendo outros países para onde os galgos estão a ser exportados, como o Paquistão e o Vietname.

Discursos nos EUA e em Milão

A ANIMA – Sociedade Protectora dos Animais é a principal oradora em duas conferências internacionais que têm lugar em Milão e nos EUA este e o próximo mês. Albano Martins, presidente da organização, disse ao HM que a ANIMA vai marcar presença, como já tem vindo a fazer noutros eventos. Assim, para os dias 24 e 25 deste mês haverá uma conferência em Itália e 13 e 14 de Outubro nos EUA.

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