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O ministro britânico para a Ásia, Alok Sharma, encontra-se em visita oficial à China, num período de tensões bilaterais, devido à decisão do Reino Unido em adiar a construção de uma nova central nuclear financiada pela China

Alok Sharma, ministro britânico que se reuniu na segunda-feira com o seu homólogo chinês, Wang Yi, é o primeiro responsável britânico a visitar a China, após a decisão da nova primeira-ministra, Theresa May, de suspender o projecto.
Pequim concordou em ficar com uma participação de um terço na central nuclear a ser construída pela gigante francesa EDF, em Hinkley Point C, no sudoeste da Inglaterra. O negócio foi anunciado durante a visita oficial do Presidente Xi Jinping a terras de sua majestade, em Outubro, como parte da “era dourada” nas relações bilaterais, promovida pelo então primeiro-ministro britânico David Cameron e o ministro das Finanças George Osborne.
A decisão da actual Primeira ministra terá sido motivada por preocupações de que o investimento do grupo estatal China General Nuclear constituísse uma ameaça à segurança do reino.
Em comunicado, Sharma assegurou que a “relação entre os dois países é forte, está a crescer e beneficia ambos”. O nosso país está aberto a receber negócios e é um destino atractivo para o investimento internacional, incluindo da China”, sublinhou o ministro.

Comércio salvaguardado

A decisão de adiar a construção da central nuclear gerou fortes reacções da parte de Pequim, com o embaixador chinês no Reino Unido, Liu Xiaoming, a considerar num artigo publicado pelo jornal Financial Times, que esta colocou as relações bilaterais “num ponto histórico crítico”. Por outro lado, Sharma referiu num comunicado, que “como membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, estamos a trabalhar juntos para encarar os problemas globais do século XXI”, sublinhou.
“O comércio bilateral atingiu um nível recorde. As exportações para a China cresceram 57%, desde 2010, e espera-se que esta se torne no segundo maior investidor no Reino Unido, até 2020”, lê-se na mesma nota.
Além de Pequim, Sharma visitará ainda Shenzhen e Cantão, na província de Guangdong, no sul, dois importantes centros da economia chinesa.
Apesar da tensão e da aberta animosidade registadas na década de 1990 sobre a transferência de soberania de Hong Kong, e da histórica “humilhação” causada pela Guerra do Ópio, o Reino Unido é hoje o principal destino do investimento chinês na Europa.
Portugal é o quarto, logo a seguir à Alemanha e França.

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