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Construir uma globalização mais “inclusiva”, sem sectores sociais que se sintam prejudicados, será um dos grandes objectivos da próxima Cimeira do G20, que se realiza nos dias 3 e 4 de Setembro, assinalaram ontem responsáveis chineses.
O encontro entre os líderes das 20 maiores economias do planeta está marcado para Hangzhou, capital da província de Zhejiang, na costa leste da China.
“É necessário criar um sentimento de maior satisfação, que as pessoas sintam que também são beneficiadas”, afirmou ontem o vice-ministro chinês das Finanças, Zhu Huangyao, numa conferência de imprensa dedicada aos objectivos do país anfitrião da Cimeira.
O encontro, que ocorre no Centro de Exposições Internacionais de Hangzhou, terá como lema “Avançar para uma economia mundial inovadora, vigorosa, interconectada e inclusiva”.
Para a China trata-se, também, de uma nova oportunidade para mostrar a sua capacidade de organizar grandes eventos.
“O objectivo é oferecer novas direcções para a economia mundial” e “alterar as soluções a curto prazo para a crise, por medidas sistemáticas de longo prazo”, afirmou o vice-ministro chinês dos Negócios Estrangeiros, Li Baodong.
Li confirmou que o presidente da China, Xi Jinping, será o anfitrião da cimeira, e que, à margem do evento, realizará reuniões bilaterais com membros do G20, além de uma reunião informal dos BRICS, o bloco de grandes economias emergentes formado pelo Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul.
Questionado se o Mar do Sul da China, tema de fricção entre Pequim e Washington, fará parte das conversações, Li assegurou que o G20 “vai centrar-se na economia e não deve ser distraído por outros temas”.
A China espera ainda que a cimeira sirva para delinear um “Plano de Hangzhou”, visando enfrentar os novos desafios globais.
“Num momento em que faltam forças impulsionadoras, devemos promover reformas estruturais e oferecer novas soluções para um crescimento robusto, sustentável e equilibrado”, assinalaram ontem os representantes do Governo chinês.
Durante as reuniões, Pequim continuará a pressionar para que haja uma reforma no sistema de cotas na governação do Fundo Monetário Internacional (FMI), que dê maior voz às economias emergentes e em desenvolvimento.
O vice-governador do Banco Popular da China, Yi Gang, destacou que a cimeira será celebrada poucas semanas antes da moeda chinesa, o yuan, integrar oficialmente o cabaz de moedas de reserva do FMI, pelo que a internacionalização da divisa chinesa será outra questão a abordar.
A cimeira ocorre num momento de incerteza face aos efeitos adversos da globalização nas economias desenvolvidas, algo que, segundo os observadores, explica fenómenos como o ‘brexit’ – a saída do Reino Unido da União Europeia – ou a ascensão de Donald Trump nas eleições presidenciais nos Estados Unidos da América.
 

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