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Diversos especialistas estiveram em Macau para a Palestra sobre os Estudos Estratégicos para o Desenvolvimento Urbano da RAEM (2016-2030), onde defenderam a necessidade de criar mais locais que sirvam a cultura e a vida diária da população. O evento aconteceu sem a presença de jornalistas, mas um comunicado do Governo dá a conhecer alguns dos pontos discutidos.
A questão mais debatida prendeu-se com a falta de espaços para a população, mesmo a nível cultural. Wang Ying, professor associado da Universidade de Tsinghua, propôs por exemplo que Macau melhore “o ambiente habitacional e a fisionomia urbana”, através da construção de instalações ligadas à vida quotidiana e à cultura. O mesmo professor apresentou também três grandes objectivos de desenvolvimento – oferta mais flexível de habitações, oferta de serviços quotidianos propícios para uma vida mais agradável e oferta de uma melhor vida habitacional. Exemplificando com a falta de terrenos e espaços para o desenvolvimento, o académico sugeriu ainda ao Governo que tenha atenção à forma como conjuga as construções com as características específicas de Macau, sendo elas “o actual grau de investimento nas construções sociais, a densidade da população, o ambiente e as infra-estruturas” já existentes.
Também Tan Zongbo, da Faculdade de Arquitectura da Universidade Tsinghua, propôs a expansão dos espaços, alterando as estruturas e reforçando o bem-estar da população.
“Macau deve determinar um plano de desenvolvimento urbano baseado na óptica de gestão e controlo por zonas, com o estabelecimento de um regime racional de cedência de terrenos, cuja prioridade se funda na disponibilização de terrenos para o bem-estar da população, de modo a concretizar a gestão e o controlo racional do aproveitamento [dessas terras]”, indicou o professor.

Por terra e mar

Ao que indica o comunicado, as ideias foram alvo de um debate intensivo por parte dos académicos participantes, sendo que também os novos espaços marítimos não escaparam à análise dos professores convidados.
“Bian Lanchun, da Universidade Tsinghua, sugeriu posicionar o futuro espaço urbano de Macau numa cidade de lazer internacional à beira mar, diversificada e intensiva para mostrar a paisagem da cidade. Sobre esta matéria, houve ainda académicos que consideraram que o Governo deve reforçar o controlo do espaço urbano, de forma a aproveitar ao máximo o recurso da zona costeira, construindo um sistema pedonal em Macau.”
Já fora de água, voltou a referir-se a necessidade de “dar uma maior atenção quanto ao desenvolvimento dos micro-espaços públicos da cidade e aumentar as zonas verdes e instalações de serviços públicos.”
“O futuro desenvolvimento urbano de Macau deve preservar bem os arruamentos existentes, prestar um maior empenho no embelezamento das ruas, alterar a imagem urbana e alargar a fisionomia típicas das ruas aos novos aterros”, sugeriram ainda académicos.

Cidade ideal

Organizada pelo Gabinete de Estudo das Políticas do Governo, a palestra juntou mais de 40 especialistas e académicos da área de planeamento e concepção urbanística do interior da China, Hong Kong e Macau. O Gabinete compromete-se a juntar-se à Universidade de Tsinghua, encarregue de efectuar um relatório de estudos sobre as estratégias de desenvolvimento urbano de Macau, de forma a introduzir estas sugestões no documento.
“O grupo temático [da Universidade] entendeu que (…) para responder às expectativas e procura, por parte dos residentes, de uma vida ideal, Macau terá de ser transformada num lar com harmonia, beleza e elegância, alegria, com rico e diversificado conteúdo cultural, onde as pessoas podem sentir-se orgulhosos por ter condições ideais de habitação, vida e emprego”, remata o comunicado, que sublinha ainda a necessidade do Governo se focar no ambiente ecológico, ordenamento do espaço, a qualidade cultural e atracções especiais.

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